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Motoristas em greve fazem manifestação em frente à Câmara

Marcus Liborio com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Os motoristas em greve se reuniram em frente à Câmara Municipal, na manhã desta segunda-feira (24), para expor as reivindicações que motivaram a paralisação do transporte público na cidade, que já entra no quarto dia consecutivo.

O presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola, pediu calma aos manifestantes e debateu as propostas em uma reunião com a mesa diretora, composta por alguns vereadores e motoristas representantes das empresas de circulares.

À noite, em horário a ser definido, haverá outra reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho, os vereadores, trabalhadores e as três empresas operadoras do transporte público na cidade. O encontro acontecerá independentemente do resultado da audiência marcada para hoje no TRT, evitando que uma possível decisão desfavorável à categoria acarrete na continuidade da greve total dos coletivos. 

Douglas Reis

Com apitos e cartazes, os motoristas reivindicavam por melhores condições de trabalho e mais atenção do poder público aos anseios da categoria

Protesto

Os motoristas saíram da Praça do Líbano, por volta das 9h15, e seguiram pela avenida Rodrigues Alves até a Câmara Municipal, onde realizam um protesto para expor as reivindicações e pedir apoio ao Poder Legislativo.

Durante o percurso, acompanhados pela Polícia Militar (PM), que bloqueou o trânsito conforme o grupo avançava, os manifestantes gritavam frases contra a posição do presidente da Emdurb. 

Já em frente à Câmara, as reivindicações continuavam. Em coro, o grupo gritava “cadê os cobradores?” e chamava pelo prefeito Rodrigo Agostinho. Às 9h45, o presidente da Câmara, Sandro Bussola, recepcionou os manifestantes. Ele pediu muita calma e se colocou a favor das reivindicações.

Em seguida, dois representantes de cada empresa de transporte coletivo de Bauru, o advogado da comissão, Hudson Chaves, entraram no prédio para participar de uma reunião com a mesa diretora, composta por Marquinho da Diversidade, Telma Gobbi, Renato Purini e o próprio presidente Sandro Bussola.

Ao final da conversa, às 10h40, foi decidido que será convocada uma reunião extraordinária com o prefeito Rodrigo Agopstinho; o presidente da Emdurb, Nico Mondelli; e o presidente da Associação dos Transportes Coletivos de Bauru, ainda na noite de hoje, com horário a ser definido, independentemente do resultado que for apresentado na audiência do TRT, à tarde.

Quarto dia sem ônibus

Marcus Liborio

Mesmo com os portões abertos, nenhum ônibus saiu da garagem

Milhares de bauruenses que dependem do transporte público da cidade ficaram na mão nesta segunda-feira (24). A greve continua mesmo com a exigência do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou nesta sexta-feira (21) o retorno imediato de 100% da frota.

Os motoristas, mais uma vez, se reuniram em frente às empresas Baurutrans e Grande Bauru, no Jardim Nicéia, onde discutiram a paralisação. Às 14h, teve uma audiência no TRT, em Campinas, para negociar as exigências da categoria. Possivelmente, se houver um acordo, os motoristas devem voltar à atividade.

O advogado da Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo, Hudson Chaves, alegou à reportagem do JC que a paralisação se estende para o quarto dia consecutivo porque o líder do movimento, Valter Dutra, não teria sido comunicado oficialmente sobre a decisão do TRT. Ele afirma que foram colhidas cerca de 400 assinaturas dos motoristas contra o acordo firmado entre a Sindtran e as empresas.

O advogado ainda pontua que o movimento não tem interesse político. "O movimento simplesmente reivindica o acordo que foi firmado de forma inadequada e sem consentimento dos trabalhadores".

Enquanto isso, os motoristas mantêm o combinado entre a categoria de, somente ceder à greve, após suas exigências trabalhistas serem concebidas.

Reivindicações

Os manifestantes pedem aumento salarial de 12%, três turnos de 6h20 - hoje são cumpridos dois turnos de 7h20-, e querem aumento no vale alimentação e também de particação dos Lucros e Resultados da Empresa (PLR), entre outros itens.

Douglas Reis

Em ato de protesto em frente à Câmara Municipal, manifestantes erguem cartazes 

Greve afeta a população

Pelo quarto dia seguido sem transporte público, centenas de bauruenses, entre trabalhadores e estudantes, tiveram que “se virar” para chegar ao destino desejado. Muitos, sem dispor de meios próprios e para não pagarem o valor abusivo cobrado por alguns mototaxistas, optaram por ir a pé.

É o caso do técnico em laboratório Guilherme Augusto Sanches, 28 anos, que, para chegar ao trabalho na manhã desta segunda-feira (24), teve de enfrentar uma caminhada de duas horas. “Eu moro no Mary Dota e vou caminhando até a Unesp, onde trabalho. Tenho que sair de casa mais de uma hora e meia antes e, mesmo assim, estou atrasado”, diz.

Éder Azevedo

Guilherme enfrenta uma caminhada de duas horas para chegar ao trabalho

Com uma mochila nas costas, Guilherme, que aparentava estar cansado, disse que toda a população, de uma forma ou de outra, sai prejudicada por causa da greve.

O caminhoneiro Edvaldo Gomes, 47 anos, pouco usa o transporte coletivo em Bauru. Mesmo assim, ressaltou: e se eu precisasse, hoje, por conta de uma emergência? Ficaria na mão”, observa.

Não são sós os trabalhadores que sofrem com a paralisação do transporte público. A reportagem do JCNet percorreu diversos pontos da cidade e observou um grande número de jovens caminhando pelas ruas.

A estudante Jaqueline Alba Ferreira, 18 anos, voltava do Hospital Estadual, onde acompanhou a irmã em uma consulta. Ela mora próximo à Universidade Sagrado Coração (USC) e teria de ir a pé a mais dois compromissos à tarde. “Levei mais de uma hora para chegar até o hospital e vou levar o mesmo tempo para chegar em casa. “À tarde tenho cursinho e estágio em locais diferentes e longes um do outro. O taxi custa mais de R$20,00 e complicado pagar essa quantia toda vez que preciso sair”, diz. 

 

 

 

 

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