Os motoristas em greve se reuniram em frente à Câmara Municipal, na manhã desta segunda-feira (24), para expor as reivindicações que motivaram a paralisação do transporte público na cidade, que já entra no quarto dia consecutivo.
O presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola, pediu calma aos manifestantes e debateu as propostas em uma reunião com a mesa diretora, composta por alguns vereadores e motoristas representantes das empresas de circulares.
À noite, em horário a ser definido, haverá outra reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho, os vereadores, trabalhadores e as três empresas operadoras do transporte público na cidade. O encontro acontecerá independentemente do resultado da audiência marcada para hoje no TRT, evitando que uma possível decisão desfavorável à categoria acarrete na continuidade da greve total dos coletivos.
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Douglas Reis |
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Com apitos e cartazes, os motoristas reivindicavam por melhores condições de trabalho e mais atenção do poder público aos anseios da categoria |
Protesto
Os motoristas saíram da Praça do Líbano, por volta das 9h15, e seguiram pela avenida Rodrigues Alves até a Câmara Municipal, onde realizam um protesto para expor as reivindicações e pedir apoio ao Poder Legislativo.
Durante o percurso, acompanhados pela Polícia Militar (PM), que bloqueou o trânsito conforme o grupo avançava, os manifestantes gritavam frases contra a posição do presidente da Emdurb.
Já em frente à Câmara, as reivindicações continuavam. Em coro, o grupo gritava “cadê os cobradores?” e chamava pelo prefeito Rodrigo Agostinho. Às 9h45, o presidente da Câmara, Sandro Bussola, recepcionou os manifestantes. Ele pediu muita calma e se colocou a favor das reivindicações.
Em seguida, dois representantes de cada empresa de transporte coletivo de Bauru, o advogado da comissão, Hudson Chaves, entraram no prédio para participar de uma reunião com a mesa diretora, composta por Marquinho da Diversidade, Telma Gobbi, Renato Purini e o próprio presidente Sandro Bussola.
Ao final da conversa, às 10h40, foi decidido que será convocada uma reunião extraordinária com o prefeito Rodrigo Agopstinho; o presidente da Emdurb, Nico Mondelli; e o presidente da Associação dos Transportes Coletivos de Bauru, ainda na noite de hoje, com horário a ser definido, independentemente do resultado que for apresentado na audiência do TRT, à tarde.
Quarto dia sem ônibus
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Marcus Liborio |
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Mesmo com os portões abertos, nenhum ônibus saiu da garagem |
Milhares de bauruenses que dependem do transporte público da cidade ficaram na mão nesta segunda-feira (24). A greve continua mesmo com a exigência do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou nesta sexta-feira (21) o retorno imediato de 100% da frota.
Os motoristas, mais uma vez, se reuniram em frente às empresas Baurutrans e Grande Bauru, no Jardim Nicéia, onde discutiram a paralisação. Às 14h, teve uma audiência no TRT, em Campinas, para negociar as exigências da categoria. Possivelmente, se houver um acordo, os motoristas devem voltar à atividade.
O advogado da Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo, Hudson Chaves, alegou à reportagem do JC que a paralisação se estende para o quarto dia consecutivo porque o líder do movimento, Valter Dutra, não teria sido comunicado oficialmente sobre a decisão do TRT. Ele afirma que foram colhidas cerca de 400 assinaturas dos motoristas contra o acordo firmado entre a Sindtran e as empresas.
O advogado ainda pontua que o movimento não tem interesse político. "O movimento simplesmente reivindica o acordo que foi firmado de forma inadequada e sem consentimento dos trabalhadores".
Enquanto isso, os motoristas mantêm o combinado entre a categoria de, somente ceder à greve, após suas exigências trabalhistas serem concebidas.
Reivindicações
Os manifestantes pedem aumento salarial de 12%, três turnos de 6h20 - hoje são cumpridos dois turnos de 7h20-, e querem aumento no vale alimentação e também de particação dos Lucros e Resultados da Empresa (PLR), entre outros itens.
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Douglas Reis |
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Em ato de protesto em frente à Câmara Municipal, manifestantes erguem cartazes |
Greve afeta a população
Pelo quarto dia seguido sem transporte público, centenas de bauruenses, entre trabalhadores e estudantes, tiveram que “se virar” para chegar ao destino desejado. Muitos, sem dispor de meios próprios e para não pagarem o valor abusivo cobrado por alguns mototaxistas, optaram por ir a pé.
É o caso do técnico em laboratório Guilherme Augusto Sanches, 28 anos, que, para chegar ao trabalho na manhã desta segunda-feira (24), teve de enfrentar uma caminhada de duas horas. “Eu moro no Mary Dota e vou caminhando até a Unesp, onde trabalho. Tenho que sair de casa mais de uma hora e meia antes e, mesmo assim, estou atrasado”, diz.
Éder Azevedo |
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Guilherme enfrenta uma caminhada de duas horas para chegar ao trabalho |
Com uma mochila nas costas, Guilherme, que aparentava estar cansado, disse que toda a população, de uma forma ou de outra, sai prejudicada por causa da greve.
O caminhoneiro Edvaldo Gomes, 47 anos, pouco usa o transporte coletivo em Bauru. Mesmo assim, ressaltou: e se eu precisasse, hoje, por conta de uma emergência? Ficaria na mão”, observa.
Não são sós os trabalhadores que sofrem com a paralisação do transporte público. A reportagem do JCNet percorreu diversos pontos da cidade e observou um grande número de jovens caminhando pelas ruas.
A estudante Jaqueline Alba Ferreira, 18 anos, voltava do Hospital Estadual, onde acompanhou a irmã em uma consulta. Ela mora próximo à Universidade Sagrado Coração (USC) e teria de ir a pé a mais dois compromissos à tarde. “Levei mais de uma hora para chegar até o hospital e vou levar o mesmo tempo para chegar em casa. “À tarde tenho cursinho e estágio em locais diferentes e longes um do outro. O taxi custa mais de R$20,00 e complicado pagar essa quantia toda vez que preciso sair”, diz.