Fiquei preocupado com as manifestações (legítimas) ocorridas recentemente por ocasião de uma das sessões do Legislativo. É evidente que as reclamações dos manifestantes - assim como em todo o país - não se restringem, apenas, ao preço das passagens de ônibus. Como temos visto, os protestos são direcionados a algumas mazelas antigas que o poder público teima em não resolver. Saúde, educação, segurança e corrupção, além dos gastos exagerados com a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, são o carro-chefe desses movimentos, com justa razão. Mas, existem outros que chamam a atenção e estão na pauta do dia: em Bauru, um deles que mereceu um cartaz no meio da multidão foi a compra do prédio da estação por mais de R$ 6 milhões e até agora sem utilização. É por isso que existem protestos e cobranças. Afinal, é o dinheiro público que está indo pelo ralo.
Já tive a oportunidade de comentar aqui mesmo nas páginas democráticas do JC que esse prédio poderia servir como sede do governo municipal, haja vista a majestosidade, as linhas arquitetônicas e a beleza de sua construção que, reformada, serviria grandemente para acolher as instalações da Prefeitura Municipal que poderia transferir o Paço Municipal para aquele próprio ao invés de destiná-lo, pura e simplesmente, para a instalação de duas secretarias municipais. Com isto a Câmara Municipal poderia transferir-se para o prédio das Cerejeiras que acolheria, plenamente, as instalações do Legislativo. Afinal, é preciso economizar, pois o dinheiro do povo não é capim que se acha facilmente nos campos locais. Só aí haveria uma economia de mais de R$ 6 milhões de reais que poderiam ser destinados à saúde que vai mal... mal... muito mal.
Faz muito bem o povo em cobrar soluções de urgência, urgentíssima, já cansado de tantas promessas e diz que diz. Aliás, devem cobrar mesmo. Parece que só assim a coisa anda, mas sem baderna, sem vandalismo, sem criminalidade. Para estes, a polícia que às vezes tem-se omitido em obediência às ordens dos mandatários/políticos deve descer o cacete e cadeia neles que não respeitam os bons costumes, destroem os bens alheios, sejam públicos ou privados. É uma camarilha que não merece consideração.
Mas os ordeiros, de bons princípios e que fazem reivindicações justas, merecem aplausos. E agora, senhores vereadores? Despertem para a realidade. Despertem para o grito das ruas. Arregacem as mangas e mãos à obra, ainda há tempo. Câmara Municipal nas Cerejeiras e Prefeitura na estação ferroviária. O prédio da Câmara pode servir de museu municipal. Tenho dito.
O autor, Abel Fernando Marques Abreu, é jornalista, delegado de polícia aposentado e colaborador de Opinião do JC