Douglas Reis |
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Caixa eletrônico destruído; explosivos usados por bandidos devem ser um dos temas |
Duas equipes de policiais militares de Bauru e Marília foram convocadas a se apresentar hoje no 37º Batalhão de Infantaria Leve (Exército) em Lins. Diante do contexto atual, cogitou-se a possibilidade da convocação ter relação com os movimentos populares que se avolumam em todo o País.
No entanto, segundo informações apuradas pelo JC, os policiais participarão de um treinamento envolvendo explosivos, utilizados na região por quadrilhas especializadas em roubar caixas eletrônicos bancários.
Em nota, o centro de comunicação social do Exército confirma o treinamento. “A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo realizará, a partir desta terça-feira, uma operação integrada com seus órgãos diretos – as polícias Civil e Militar –, e contando com a colaboração do
Quioshi Goto |
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Coronel Airton Martinez disse que a convocação foi feita para que PMs prestem apoio em operações planejadas |
Comando Militar do Sudeste, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Estadual da Fazenda e Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)”, informou.
O objetivo será verificar a regularidade da gestão de produtos controlados por parte de pessoas jurídicas autorizadas. “A intenção será orientar e, eventualmente, autuar infratores com penas administrativas, que poderão ir desde advertência até a cassação do registro de funcionamento”.
Os PMs que receberam a convocação do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) pertencem às equipes da Força Tática e, como o documento não trazia explícito o motivo da convocação, ficaram apreensivos. Um deles, que preferiu não ser identificado, ficou surpreso porque não sabia o que iria enfrentar. Avisou seus familiares que também ficaram preocupados.
A relação do treinamento com fatos recentes ocorridos em maior proporção nas capitais foi descartada pelo comandante do CPI-4, coronel Airton Iosimo Martinez. Segundo ele, a convocação foi feita pelo batalhão de infantaria para que os PMs apoiem algumas operações que estão planejadas.
Incidência
Conforme o JC publicou recentemente, municípios de menor porte estão na mira de quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos que, ousadas e bem preparadas, agem com violência para conseguir dinheiro de maneira ilícita. Na região, apenas neste ano, o JC já contabiliza, informalmente, ao menos 13 ocorrências desta natureza. Nos últimos dois meses de 2012, foram outros quatro casos.
O mais recente deles aconteceu na madrugada da última sexta-feira, em Paulistânia (48 quilômetros de Bauru), quando cinco homens usaram outro tipo de explosivo e, embora tenham conseguido explodir o caixa eletrônico do Bradesco, não subtraíram o dinheiro. Os bandidos renderam cinco trabalhadores que aguardavam transporte na praça da matriz.
Quadrilhas ‘importadas’
As investigações indicam que estes grupos fortemente armados sejam originários da região de Campinas. Há suspeitas, ainda, de que eles possam ter migrado para esta modalidade de crime depois que o incremento tecnológico e de segurança dificultou a execução de roubos a bancos e carros-fortes, conforme o JC veiculou em outras ocasiões.
Segundo as polícias Civil e Militar, dentro da grande região de Bauru, as áreas mais atacadas são as de Botucatu e Pongaí. Em vários casos, um facilitador é a falta de segurança de algumas agências bancárias instaladas nestas localidades, que não contam com alarmes, circuito interno de monitoramento, e se tornaram alvos fáceis.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por sua vez, afirma que vem trabalhando em estreita parceria com governos, polícias (Civil, Militar e Federal) e Poder Judiciário, mas que “a ação de segurança permitida pela legislação aos bancos é insuficiente frente à violência empregada”.
Para a polícia, os valores obtidos com as explosões têm servido para alimentar o tráfico de entorpecentes e o comércio ilegal de armas, além de normalmente obedecer algumas regras. Na maioria das vezes, as quadrilhas agem em, no mínimo, seis pessoas, fortemente armadas com pistolas e fuzis, que utilizam dinamites potentes para explodir os caixas.
As dinamites são de uso controlado e o modo como chegam às mãos destes grupos ainda é investigado, mas teria relação com o boom vivido pela construção civil nos últimos anos, com ênfase na expansão das atividades de pedreiras em todo o Brasil.

