Bairros

Em uma semana, 6 morrem no trânsito

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

Moradores saíram às ruas após morte do ciclista no Pousada da Esperança II, ontem

Em apenas uma semana, o trânsito de Bauru computou seis vítimas fatais. No total, segundo cálculos do Jornal da Cidade, 29 pessoas morreram em acidentes nos seis primeiros meses deste ano. A última ocorrência foi registrada no início da tarde de ontem, quando o ciclista Sebastião Amarante de Oliveira, de 55 anos, colidiu sua bicicleta contra um coletivo.

O acidente aconteceu no cruzamento da rua Antônio Jerônimo da Silva com a rua José Roberto de Toledo Cassiano, no Pousada da Esperança II. O motorista José Carlos Plata, de 59 anos, disse que entrava na rua Antônio Jeronimo e não viu o acidente acontecer. Ele teria percorrido quase um quilômetro até ser avisado da ocorrência.

José Carlos voltou ao local e viu a vítima ao chão. Ele esperou o socorro chegar e contou que foi necessário fazer o atendimento na hora. “Só fiquei sabendo do acidente quando o motociclista me avisou, não ouvi nada, nem os passageiros ouviram”, contou, com muita calma, o motorista, que também disse ter sido ameaçado por populares. A vítima foi reanimada e levada ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde já chegou sem vida.

Sebastião era morador do Pousada I e trabalhava como vigilante do posto de saúde do Pousada II, que será inaugurado. Segundo testemunhas, ele teria saído para almoçar quando aconteceu o acidente.

A Polícia Cientifica esteve no local e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Algumas testemunhas disseram que a roda do caminhão teria passado em cima da vítima; já outras informaram que ele bateu na roda dianteira direita. O motorista foi ouvido e liberado.

Em protesto, aproximadamente 30 moradores do bairro Pousada II fizeram, ontem à tarde, uma manifestação no local, pedindo que os representantes da população, os vereadores, olhem para o bairro, que, segundo eles, não tem a segurança adequada. “Nesta rua toda não há uma lombada nem uma sinalização de pare, todos passam com velocidade aqui’, afirmou a moradora Cleide Goes, de 59 anos.

Os moradores colocaram fogo em galhos e pneus. Os bombeiros foram chamados, mas o fogo já estava quase apagado quando chegaram. Segundo os policiais que estavam no local, eles não precisaram intervir, porque o protesto foi pacífico. Os moradores só queriam a atenção para o descaso com o bairro.

Outros casos

Morreu anteontem o rapaz que sofreu acidente de motocicleta na avenida Getúlio Vargas, na última quinta-feira (leia mais abaixo). Já na noite da última sexta-feira, conforme o JC veiculou, os irmãos Valdemir Pereira de Souza, 44 anos, e Valdecir, 51 anos, morreram na rodovia Bauru-Ipaussu (SP-225), próximo do quilômetro 239, entre Bauru e Piratininga, em frente ao condomínio Lago Sul. Na ocasião, de acordo com informações da Polícia Rodoviária, um Gol e um Vectra colidiram lateralmente.

Também ficou ferido o casal de namorados Laura Cristina Daroz Gaudencio e Luis Gustavo Gimenes, que seguem internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.  Na última quarta-feira, os motociclistas Gregory Derik de Souza, 23 anos, e Wellington Américo Dias, 21, também morreram.

O primeiro acidente aconteceu por volta das 13h, no cruzamento da rua Aymorés com a rua Tupinambás, na Vila Antártica. A motorista de um Fiat Palio, Viviane de Marque Leite, 32 anos, disse aos policiais que, no cruzamento, ela teria sinalizado à esquerda e convergido, quando a moto teria colidido na lateral dianteira esquerda do seu carro. Ela também contou que a vítima teria perdido o controle da moto e batido contra um muro.

Algumas horas mais tarde, o motociclista Wellington Américo Dias colidiu na traseira de uma Kombi e caiu na pista de rolamento, enquanto entrava na rodovia Marechal Rondon (SP 300), no dispositivo de acesso pela avenida Nações Unidas. Um caminhão que seguia pela rodovia, sentido Capital-Interior, no quilômetro 339, teria freado, mas mesmo assim passou por cima do motociclista, que morreu na hora.


Doação de órgãos

“Pai, isso tem de ter um propósito. Se ele estivesse aqui, era assim que ele faria. Ajudaria as pessoas para fazê-las felizes”. As palavras são de Rafael Augusto Alves, 17 anos, que, no momento mais dramático de sua vida, ajudou os pais frente à decisão de doar os órgãos de seu único irmão, Leandro Augusto Alves, 22 anos, a 28ª vítima fatal do trânsito em Bauru.

Bancário, Leandro teve morte encefálica confirmada anteontem. Não resistiu aos ferimentos decorrentes de um acidente de moto registrado na última quinta-feira, na avenida Getúlio Vargas. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), quando o óbito foi confirmado. Doou córneas, rins, fígado e coração, informa a família.

Aluno do último ano do curso de administração da Faculdades Integradas de Bauru (FIB), o rapaz estava a caminho da casa da namorada no momento do acidente. Na ocasião, dirigia sua Kawasaki pela Getúlio Vargas, quando se envolveu em uma colisão com um Honda Fit, de Campinas, que seguia à frente e fazia a conversão à esquerda sentido bairro-Centro, na altura da rua José Maria Rodrigues Costa.

Diante da tragédia, o tio dele, Marcos Antonio Borges, deixa recado para quem dirige. “Que a cada dia sejam mais prudentes. As coisas são muito rápidas e um vacilo pode tornar-se tragédia. O que a gente deseja é que Leandro esteja no lugar que mereça estar”, comenta. A expectativa da família é que a decisão pela doação de órgãos possa garantir felicidade a várias outras.

“Leandro era muito carismático, tinha o poder de aglutinar. Era muito sábio e querido. Cativava e cultivava as amizades”, relembra Marcos, ao referir-se ao sobrinho que, há cerca de dois meses, havia assumido função na Caixa Econômica Federal, via concurso público. No dia do acidente, quando o expediente terminou, esteve com amigos e seguia para a casa da namorada, sua companheira há oito anos.


Polícia Militar confirma trânsito mais violento

O trânsito em Bauru está mais violento, confirmam dados do 4ª Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), que desconsideram os óbitos registrados em rodovias. Por essa razão, cálculos do JC apontam 29 vítimas fatais, enquanto os da Polícia Militar indicam somente 12. No entanto, o número oficial (da PM) calculado até quarta-feira passada já era maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando dez pessoas morreram em acidentes de trânsito em Bauru. Em 2011, o total não ultrapassou nove casos.

Segundo o capitão Alan Terra, oficial de relações públicas do 4º BPMI, dos 12 casos registrados pela PM em 2013, motocicletas estiveram envolvidas em oito deles. Do total, sete vítimas eram motociclistas. Em 50% das ocorrências, a faixa etária das vítimas fatais oscilou entre 18 e 30 anos.

No ano passado, a situação não foi muito diferente. Em metade dos casos com morte as motocicletas também estavam presentes. Diante dessa situação, ele chama a atenção para a responsabilidade dos condutores que, independentemente do veículo que estiverem conduzindo, devem ser prudentes.

No dia a dia, porém, nem sempre a situação é constatada. Tem muito motorista, por exemplo, que ao aproveitar a transição dos semáforos, embala o veículo e se arrisca. “A PM continua com as fiscalizações e as autuações são crescentes, em proporção muito maior do que a dos acidentes”, conclui.

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