Tribuna do Leitor

Conta-gotas


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Os mais velhos lembramo-nos. E como! Era o ano de 1950. O dia seis de agosto de 1945 ainda era lembrado. Parecia estar ainda no ar a voz inconfundível de Heron Domingues, falando dos estertores da conflagração mundial. Mas um tanto distante estava o pesadelo.

Preparava-se o Brasil para promover a Copa Mundial de Futebol. Só agora, passados tantos anos, não entendemos como nossa seleção era formada por nove jogadores do Vasco da Gama e comandada por Flávio Costa, técnico do mesmo time... Mas, paratimbum, bum, bum! A música anunciava, com toda a certeza, a conquista da copa. Esqueceram-se, no entanto, de falar com Obdúlio Varela, o cérebro da equipe uruguaia. Desalento, tristeza, decepção. Jorge Cury juntamente com outro locutor narrou o jogo que consagrou o Uruguai. A Rádio Nacional era a mais ouvida, ou a única a narrar a partida.

Mas veio 1954. Na Suíça. A chegada da delegação brasileira causou espanto. Os franceses, estupefatos:

- Oú est Zizinhô? Oú est Zizinhô?!!!

É! Zizinho, então o melhor jogador do Brasil na ocasião, fora deixado de lado por questões particulares com o técnico Zezé Moreira... Onde está Zizinho?! Zizinho ficou no Brasil e deixou de assistir ao baile dos húngaros humilhando nossa seleção. Jean Manzon, fotógrafo da revista "O Cruzeiro", foca o goleiro do Brasil na cômica posição "de quatro", foto exornada pela frase de David Nasser: "Castilho cata cavacos". Os jogadores tinham como comentário rotineiro a performance do jogador Puskas. É, o Brasil tinha muito a aprender. Hoje, o Brasil prepara-se para novamente sediar a Copa Mundial. Não disputará a final.

Não há como encontrar de um momento para outro alguém como Gérson, Zito, Didi, jogador como Seedorf, Pirlo, Iniesta. Enfim, jogador que faz a função de técnico dentro do campo. Confronte nossos craques atuais com os craques de 1970: Neymar/Pelé; Lucas/Tostão; Fred/Jairzinho. E quem mais?! Quem se compara a Carlos Alberto Torres, Rivelino, Gérson? Principalmente Gérson? Observem os espanhóis. Jogo parecido (apenas parecido) com o jogo dos brasileiros de 1958, 1982 e 1970!

Os cariocas só assistiriam ao jogo da Seleção Brasileira no Maracanã se a mesma fosse finalista. Infelizmente, isso não acontecerá. Em 1998, além do fracasso, ainda fomos convidados a "engolir" o técnico. Convite indigesto, digno de ser esquecido. Em tempo: não sou técnico de futebol e como o prezado leitor gostaria de estar completamente errado. Será?!

Álvaro Baptista Pontes

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