Geral

?Até o meu palhaço tem transporte?, diz manifestante em frente à prefeitura

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

"Até meu palhaço tem transporte", diz manifestante em frente à prefeitura

“Até o meu palhaço tem transporte”, era o que dizia um homem que protestava em frente à Prefeitura de Bauru, na manhã desta terça-feira (25), referindo-se ao carrinho de rodinhas, puxado com barbante, que “transportava” um boneco representando um palhaço.

Com nariz e roupas de palhaço, identificado apenas como Carlos, o manifestante gritava frases contra a greve dos coletivos, como “o povo precisa de ônibus nas ruas” e “cadê o plano B?”, - referindo-se a uma solução imediata para cessar a paralisação total do transporte público na cidade.

O palhaço inconformado disse que pouco anda de ônibus, mas se sente mal ao ver seus familiares sofrendo com a situação. “Minha sobrinha de 16 anos está indo a pé, desde sexta-feira (21), início da greve, do Jardim Colina Verde até a Vila Independência para trabalhar. Ela foi ameaçada de ser despedida por um dia que não pôde ir”, disse.

Carlos não é contra a comissão da categoria e pontua que os motoristas têm o direito de reivindicar. “Não sou contra o sindicato e nem à prefeitura, só quero que o problema seja resolvido”.

O protesto em frente ao prédio do Executivo chamou atenção de quem passava pelo local. No entanto, até as 10h, nenhum representante do Poder Legislativo havia saído da prefeitura para dialogar com o palhaço.

Prejuízo para o trabalhador

A população bauruense está sentido na pele e no bolso o quinto dia consecutivo sem transporte público na cidade. Quem estava acostumado a gastar cerca de R$ 6,00 por dia para ir e voltar do trabalho, agora se vê obrigado a desembolsar mais que o dobro se não quiser andar a pé.

É o caso da auxiliar de serviços gerais Marli Silva, de 41 anos. Desde a última sexta-feira (21), quando a greve teve início, ela gastou entre R$ 14,00 e R$ 16,00 com mototáxi para ir do Jardim Tangarás, onde mora, até o seu trabalho na avenida Nossa Senhora de Fátima. “Já tive um prejuízo de, aproximadamente, R$ 20,00 em dois dias”, reclama.

Quem prefere economizar, se arrisca em uma caminhada, cujo trajeto nem sempre é curto. O segurança Edgar Cocielo, de 32 anos, morador do José Regino, levou mais de uma hora para chegar até a farmácia de manipulação onde trabalha, também na avenida Nossa Senhora de Fátima.

“Não tenho condições de gastar com mototáxi todo dia. Acordo às 6h para não me atrasar. A minha sorte é que, no fim do expediente, consigo uma carona com meu irmão”.

Thais Viana, 21 anos, vive o mesmo desafio do segurança para chegar ao seu local de trabalho, na quadra 15 da Nossa Senhora de Fátima. Ela, que é operadora de televenda e mora na rua Monsenhor Claro, próximo ao Hospital de Base, precisou sair cedo de casa. “Eu sou de São Paulo e vim a Bauru para trabalhar e estudar. Não tenho condições de pagar por transporte, que não sejam os coletivos, todos os dias. Prefiro encarar a caminhada”, diz.

Éder Azevedo

 

Thais Viana, 21 anos, prefere ir a pé ao trabalho

Edgar Cocielo consegue carona na volta do trabalho

 

Comentários

Comentários