Tribuna do Leitor

Educação e inovação


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O título acima é do artigo da sra. Claudia Costin, secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, publicado na Folha de S.Paulo (21/6, opinião A3).

Ressalta a secretária municipal de Educação que: "O Rio adotou tarefas próprias de uma escola tradicional, que significam um passo atrás, como o objetivo de dar um salto de qualidade".

Informa que estabeleceu um currículo básico e claro. Docentes do município criaram um material estruturado para uso de seus pares. Define que as escolas alfabetizam em seus e preparam os próprios livros de alfabetização. No final de cada bimestre, há provas unificadas, para que cada escola perceba sua evolução em relação à média da rede. Para alunos que aprendem em ritmos diferentes, criou-se um sistema de reforço de professores, com prova didática e uma escola de formação.

Explica a secretária que essa tarefa, própria de uma escola tradicional, significa um passo para trás para que se possa dar um salto na qualidade.

A leitura desse artigo me fez voltar ao passado, lembrei-me do meu ingresso no magistério público primário do Estado, no início dos anos de 1950. Nomeado professor primário da Escola Masculina do bairro do Ribeirão Grande, município de Alto Alegre, com jurisdição da Delegacia do Ensino Elementar de Penápolis. Isto, fazendo-me reviver o então ensino primário e médio (ginásio e colégio) estadual com padrão de qualidade, prestigiado, hoje totalmente desvalorizado.

Naquela época, os grupos escolares adotavam o seguinte princípio para a alfabetização dos alunos e avaliação pedagógica da alfabetização.No início do ano letivo, nas classes de primeiras séries, dos alunos analfabetos, eram adotadas "cartilhas", para alfabetização.

No início do segundo semestre, de volta das férias escolares, no primeiro mês do reinício das aulas as professoras faziam a recapitulação do aprendizado da escrita e leitura. Em agosto havia a festa da "Entrega do livro". Era marcado o dia, convidados os pais. Na escola, com a presença do diretor, professores, alunos e pais, hasteava-se a Bandeira Nacional, com o canto do Hino Nacional, a seguir o diretor falava sobre o significado da festa ? Entrega do livro ?, cada professora chamava seu aluno e fazia a entrega do livro que significava que o aluno havia sido aprovado em leitura e interpretação do texto e na escrita. Estavam alfabetizados, deixaram a fase da cartilha, passando para o uso do livro. Era uma alegre festa de iniciação, ingresso numa nova fase da educação escolar.

Hoje, nos meus 82 anos de idade, 30 anos aposentado, é triste ler noticiário na imprensa afirmando que alunos da 8ª série do ensino fundamental mal sabem ler e escrever. Contrastante, quando a Constituição Federal, que neste ano está completando 25 anos de sua promulgação em 5 de outubro de 1988, determina de modo explícito: "Valorização dos profissionais do ensino...".

Felizmente, nas manifestações de protestos públicos que vêm ocorrendo em todo o Brasil, entre as reivindicações dos brasileiros está incluída a volta do ensino público com padrão de qualidade.

Rodolpho Pereira Lima

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