Aceituno Jr. |
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Último ato, na semana passada, levou 6 mil jovens às ruas de Bauru, em protesto contra os serviços públicos ruins |
O grupo “Bauru Acordou” faz hoje o terceiro ato de protesto na cidade. Tentando corrigir supostos equívocos avaliados por jovens que participaram de assembleias públicas no último final de semana, a manifestação desta quinta-feira deve focar reivindicações na questão do transporte coletivo. A concentração está marcada para as 17h30, na praça Rui Barbosa, região central.
A mobilização deve começar às 18h e a saída, meia hora mais tarde. Dessa vez, o trajeto do ato não foi divulgado por questões estratégicas. Na semana passada, os manifestantes planejavam ir à Prefeitura de Bauru, mas o local já estava cercado pela Polícia Militar. O grupo espera conseguir surpreender para alcançar os objetivos almejados.
Em nota pública, o “Bauru Acordou” informa que sua luta primeira é pelo Passe Livre. “E não pararemos até conquistá-lo”.
Apesar disso, o grupo divulgou outras reivindicações. A principal delas é a revogação imediata do aumento do valor da passagem. A tarifa subiu 12% em maio e, um mês depois, recuou em 3,65% após as desonerações federais do PIS e Cofins para as empresas de transporte coletivo.
Os manifestantes pedem ainda o fim da cobrança diferenciada para o valor pago em dinheiro (mais caro do que com o cartão) e a extinção da taxa de integração. O grupo também reivindica 50% de desconto no passe estudantil, sem limite de idade para esses usuários. Outro item da pauta é o fim do acúmulo de função dos motoristas de circulares, cm a volta de cobradores em todas as linhas.
Há outras reivindicações mais abstratas ou que só podem ser atendidas em longo prazo. Entre elas, a ampliação e reorganização das linhas de ônibus; criação dos horários e linhas noturnas; modernização e melhora na qualidade dos serviços; e construção de um terminal urbano.
A pauta, no entanto, se estende a temas abrangentes, como a implementação da lei de transparência das contas públicas e auditorias populares em serviços públicos. “Compreendemos que existem muitas lutas e muitos direitos a serem conquistados, por isso temos como bandeira o apoio aos trabalhadores e aos movimentos sociais”, pontua o grupo.
Todas as decisões foram definidas em assembleias, em regime de votação, realizadas no sábado e no domingo, no Parque Vitória Régia.
Outros atos
Na semana passada, dois atos foram realizados pelo grupo. O primeiro deles reuniu cerca de 1.200 pessoas na segunda-feira, quando os manifestantes pediram a instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) do transporte coletivo.
Na ocasião, os vereadores de Bauru foram impedidos de deixar a sede do Legislativo até as 23h, pois portões laterais foram bloqueados pelos jovens.
A negociação com os vereadores culminou, dois dias depois, na criação de uma comissão que vai analisar a qualidade dos serviços na cidade. O grupo é composto por Roque Ferreira (PT), Renato Purini (PMDB), Moisés Rossi (PPS), Roberval Sakai (PP) e Lima Júnior (PSDB).
Já na quinta-feira, com o aparato de um carro de som, o movimento levou 6 mil às ruas. Inicialmente previsto como ponto de manifestação, a sede da Prefeitura de Bauru foi poupada. Em assembleia realizada no sábado, um grupo de participantes criticou a alteração e outros rumos do ato.
Um grupo de pessoas frisou também a necessidade de politização do movimento. Há o entendimento de que a presença de alguns elementos no ato de quinta-feira, como da bateria da Unesp, descaracterizaram o ato, transformando-o em uma “micareta”.
Ocorrências
Apesar de a manifestação ocorrida ter sido considerada totalmente pacífica, inclusive pela própria Polícia Militar (PM), houve alguns coletivos pichados.
A assessoria de comunicação da Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb) afirmou que 12 foram pichados por fora e cinco na parte interna.
Com os protestos pacíficos, é preciso fazer outro alerta: cuidado ao se dirigir ao encontro dos manifestantes. Na quinta-feira, três foram roubados. Dois jovens, de 21 e 18 anos, foram vítimas de uma dupla na quadra 9 da alameda Doutor Octávio Pinheiro Brisolla, Vila Universitária, em Bauru. O crime ocorreu por volta das 22h30.
