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Dilma quer limitar questões de plebiscito

Valdo Cruz, Tai Nalon, Breno Costa, Gabriela Guerreiro e Márcio Falcão
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Após uma série de reuniões com aliados, a presidente Dilma Rousseff decidiu que enviará ao Congresso na terça-feira mensagem enxuta sugerindo a realização de um plebiscito com questões para orientar a discussão de uma reforma política no Congresso.

Dilma informou aos aliados que irá sugerir um plebiscito com no máximo cinco questões, sobre temas como financiamento de campanha (público, privado ou misto) e sistema para escolha de deputados - voto proporcional, distrital, ou distrital misto, e se em lista aberta ou fechada.

Os pontos que serão sugeridos por Dilma coincidem com os que o PT há tempos quer mudar no sistema político do País. Os petistas defendem financiamento público e voto em lista fechada, no qual os eleitores votam no partido e na relação de deputados indicados pelo partido.

O governo acha que já tem apoio da base aliada para sua ideia de plebiscito, mas sabe que terá de enfrentar resistências sobre as perguntas que serão feitas na consulta.

Políticos aliados, inclusive do PMDB, pretendem acrescentar outras questões no plebiscito, como uma proposta de fim da reeleição.

O líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), quer incluir a unificação das eleições e a definição de que todos os mandatos eletivos terão cinco anos. O governo é contra.

Nas reuniões de ontem, diante das ponderações de aliados de que talvez não haja tempo para aprovar uma reforma que vigore já no próximo ano, Dilma reagiu e disse que algumas regras têm de valer na eleição de 2014.

Segundo ela, a população vai participar do plebiscito na expectativa de que “alguma coisa já mude na política” no próximo ano. Caso contrário, seria uma frustração.

Dilma recusou ainda sugestão de aliados, como o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), de trocar o plebiscito por um referendo (veja quadro), que submeteria as mudanças a consulta popular após sua aprovação pelo Congresso. “Isso pode ser o pior dos mundos”, retrucou a presidente, dizendo que a população poderia “rechaçar” uma reforma política aprovada pelo Congresso. “Ficaríamos sem mudanças. Não é o que deseja a voz das ruas.”

Dilma e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disseram que o ideal é um plebiscito com poucas perguntas, para facilitar a compreensão dos eleitores.

O governador Eduardo Campos (PSB-PE), que pensa em disputar a Presidência em 2014, indicou que apoia o plebiscito. “A interpretação amplamente majoritária na reunião é que o plebiscito é um instrumento muito importante de participação da população na reforma política.”

Mercadante fez questão de defender um plebiscito enxuto. “Um plebiscito, num tema complexo como esse, tem de ir no cerne do problema. Então, nós vamos tratar daquilo que é essencial.”

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