Regional

Trabalhadores demitidos pela Pau D?Alho bloqueiam a Raposo Tavares

Jornal da Comarca de Palmital
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Chamar a atenção do Poder Judiciário e dos governos estadual e federal para a situação de calamidade pública, que foi decretada nesta semana pela Prefeitura de Ibirarema, e reivindicar o pagamento de salários atrasados e indenizações trabalhistas aos cerca de 1,8 mil trabalhadores demitidos pela Usina Pau D’Alho, que paralisou suas atividades no final do ano passado. Este foi o objetivo de um movimento que bloqueou, por mais de uma hora e meia, as duas pistas no quilômetro 404 da rodovia Raposo Tavares, nas proximidades do acesso secundário à cidade, na manhã desta sexta-feira (28). A manifestação pacífica, que foi acompanhada pelas polícias Rodoviária e Militar, reuniu cerca de 300 pessoas que mostraram faixas e cartazes contra a postura da empresa para com seus ex-empregados.

En nota, a Cart informou que às 10h29 de hoje (28), foi liberado o tráfego no km 403+200 da SP-270 Raposo Tavares, no município de Ibirarema, que estava bloqueado desde às 9h de hoje em função de manifestação. A retenção de veículos era de cerca de 2,5 km no sentido Capital e, aproximadamente, 2,3 km no sentido Interior. O tráfego começou a fluir com a supervisão da Concessionária e da Polícia Militar Rodoviária.

Jornal da Comarca de Palmital

Ex-trabalhadores de usina fecharam a rodovia para pedir pagamento de salários atrasados e indenizações trabalhistas

Manifestação

Pouco antes das 9h, os manifestantes se reuniram nas proximidades da Coopermota e seguiram até a rodovia Raposo Tavares, onde fecharam a via nos dois sentidos.

As viaturas da Polícia Rodoviária fecharam o tráfego e a PM fez a retaguarda e posicionou equipes em pontos estratégicos para acompanhar o movimento. A Cart também mobilizou equipes para orientação do trânsito e manteve a postos unidades de socorro para caso de necessidade.

Além dos ibiraremenses, também participaram ex-funcionários da empresa que residem em outras cidades de região. A manifestação pacífica, que teve a presença de mulheres e crianças, recebeu apoio do comércio de Ibirarema.

Alguns estabelecimentos fecharam as portas durante o protesto e enviaram representantes e funcionários ao protesto, pois o setor comercial e de serviços também é afetado com a queda nas vendas e a inadimplência.

Os participantes do movimento fizeram relatos à imprensa sobre as dificuldades que enfrentam sem receber salário desde o final do ano passado e disseram que estão revoltados com a diretoria da empresa, que não cumpriu o acordo para pagar as indenizações trabalhistas.

Alguns também se queixaram da não participação no protesto de representantes dos sindicatos aos quais estão filiados, afirmando ainda que estão dispostos a continuar protestando até que a situação seja resolvida. Pessoas no protesto disseram ainda que muitos trabalhadores encontraram emprego em outra cidade e foram embora de Ibirarema com suas famílias.

Apesar do clima pacífico, houve um momento de tensão no qual ocupantes de um veículo que ficou retido na rodovia foram até os manifestantes para questionar o bloqueio. Os manifestantes expressaram seu descontentamento e destacaram que queriam receber seus salários e seus direitos trabalhistas. Para evitar tumulto, o policiamento retirou do local os usuários da rodovia, que foram vaiados pelos participantes do protesto. O grupo deixou a rodovia por volta das 10h30, possibilitando que o tráfego fosse retomado.

Acompanhamento

O prefeito Thiago Briganó e o vice José Benedito Camacho, o Camachinho, bem como vereadores, estiveram na rodovia em apoio aos manifestantes. O chefe do Executivo disse que recebeu um comunicado da empresa e agendou reunião com a diretoria da usina na segunda-feira (1), a partir das 16h30, na sede da Prefeitura.

No encontro, será tratada a questão das indenizações aos trabalhadores, bem como divulgadas informações sobre o plano de recuperação judicial da usina que foi aprovado pela Justiça da Comarca nesta semana.

O policiamento rodoviário foi comandado pelo capitão Adriano Aranão, do Pelotão de Assis, que manteve contado com os manifestantes no local para evitar maiores problemas. O oficial destacou a manifestação pacífica e disse que o policiamento se fez presente para garantir a segurança dos participantes do protesto. Ele estimou que houve cerca de 10 quilômetros de congestionamento na rodovia, com maior concentração de veículos na pista de sentido Capital-Interior.

Por conta do impacto econômico do fechamento de usina, o prefeito decretou calamidade pública em Ibirarema

A empresa fechou e demitiu cerca de 1,8 mil funcionários, que ainda não receberam salários atrasados e indenizações trabalhistas. Além da queda na arrecadação, a prefeitura registrou elevação nas despesas de assistência social e saúde.


A Usina Pau D’Alho, que foi fundada no início da década de 1980, foi por muitos anos a principal fonte de geração de empregos e renda para o município de Ibirarema. Com a paralisação de suas atividades no final do ano passado e a demissão de cerca de 1,8 mil trabalhadores, dos quais aproximadamente 1,2 mil residem no município, a cidade passou a enfrentar diversos problemas econômicos e sociais que chegaram ao ponto de comprometer o trabalho da prefeitura, que teve de decretar nesta semana estado de calamidade pública para que possa buscar benefícios para manter o atendimento à população, que é de pouco mais de 7 mil habitantes.

A situação anormal, segundo a administração municipal, se configurou pela elevação nos gastos em setores assistenciais e a considerável queda de arrecadação, tanto pelo dinheiro que deixou de circular no comércio quanto na arrecadação de impostos.

Diante da gravidade do problema à economia local, o prefeito Thiago Briganó baixou decreto na segunda-feira declarando calamidade pública, o que possibilitará receber benefícios dos governos estadual e federal para contornar a crise e atender às necessidades de população. A medida entrou em vigor na quarta-feira, por meio de publicação de emenda na edição do Jornal da Comarca, e deverá vigorar até o dia 31 de dezembro.

Problema

De acordo com levantamento da prefeitura, apesar das iniciativas de apoio à reinserção no mercado de trabalho e de qualificação profissional, seis em cada dez pessoas de Ibirarema necessitam de auxílio público para a subsistência, seja para alimentação, social ou saúde. “Para o município, é praticamente impossível atender a todos”, destacou Thiago.

A administração municipal informou que alguns setores tiveram o número de atendimento triplicado nos últimos meses, como a assistência social. Uma das divisões do Departamento de Saúde, que atendia 300 pessoas, viu o número de solicitações chegar a 1,2 mil em um único mês, quatro vezes mais que o normal.

Como agravante ao aumento das despesas públicas, a prefeitura sofreu com a considerável queda na arrecadação devido, principalmente, à paralisação das atividades da usina, à falta de pagamento das indenizações aos ex-funcionários da empresa (reduziu o consumo no comércio e causou inadimplência de aproximadamente 50% no IPTU) e à migração dos tributos da safra de cana para municípios vizinhos onde a matéria-prima é processada. 

O prefeito disse que o impacto financeiro negativo fez as contas da prefeitura começarem a “entrar no vermelho”. “E, como pretendo cumprir os requisitos da Responsabilidade Fiscal, decidi pela decretação do estado de calamidade para que possa reivindicar recursos junto aos governos estadual e federal a fim de atenuar os problemas existentes no município”, afirmou.

Reconhecimento

Após a decretação da calamidade pública em âmbito municipal, a prefeitura busca agora encaminhar a documentação necessária para que a situação seja reconhecida em nível estadual e federal, por meio da concessão de benefícios aos desempregados, de verbas extras para investimento, de programas de recolocação no mercado de trabalho e da assistência nos setores de assistência social e saúde.

Thiago disse que encaminhou carta ao Palácio dos Bandeirantes solicitando audiência com o governador Geraldo Alckmin para tratar do assunto. O prefeito também buscará reunião com representante da equipe ministerial da presidente Dilma Rousseff para viabilizar o auxílio emergencial a Ibirarema.

 

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