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Antonio Delfim Netto
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No momento em que se confirmam as indicações de ligeira aceleração da atividade econômica, permitindo estimar um crescimento do PIB de 3% para os próximos 12 meses, multiplicam-se também as análises pessimistas apoiadas no fraco desempenho da indústria e do setor de serviços no primeiro trimestre do ano, projetando um índice de crescimento anual inferior a 2%. Trata-se de um exagero porque no mês de abril houve forte reação do setor industrial, reforçando a estimativa de maior crescimento para os meses seguintes.

Já há algumas indicações que o nível de atividade tenha melhorado no segundo trimestre. O índice do Banco Central - IBC-Br - de abril/março cresceu 0,84%, estimulado pela recuperação do setor industrial que provavelmente não se repetirá em maio/abril. Parece, no entanto, confirmarem-se as expectativas do BC (e de alguns analistas de mercado) que a expansão no segundo trimestre com relação ao primeiro será um pouco maior do que 0,6%. Se o Brasil tiver um crescimento, na média, de 0.7% nos próximos três trimestres, a economia pode ter a possibilidade de um crescimento do PIB de 2.7% em 2013. Revelando uma expectativa de aceleração da atividade, a estimativa do Banco Central do desempenho do PIB para os próximos 12 meses entre abril deste ano e março de 2.014 é de expansão de 3% da economia.

É um crescimento ainda baixo, mas é preciso não esconder que ele se realiza enquanto a economia mundial continua muito complicada, sem dar sinais confiáveis de recuperação. Um grande número de países, tradicionais parceiros do intercâmbio de mercadorias e cujas empresas participam com investimentos em nossos projetos de desenvolvimento tem suas economias ainda em recessão, sem poder retomar as importações de produtos brasileiros.

As limitações que tolhem a expansão do intercâmbio comercial afetam profundamente o crescimento de nossa economia, pois desestimulam investimentos que poderiam ampliar o parque industrial e o desenvolvimento do agronegócio voltado para as exportações, além da necessária expansão da infraestrutura.

Não há justificativa, no entanto, para a criação de expectativas pessimistas quanto ao comportamento de nossa economia. Nem mesmo os movimentos que buscaram as ruas para protestar contra a má qualidade dos serviços públicos essenciais devem alimentar tais sentimentos. Como dizem os economistas, são uma "emergência", em que a acumulação de pequenas mudanças quantitativas dá nascimento espontâneo a mudanças qualitativas.

É preciso ver essas reivindicações com naturalidade. Elas são uma coisa nova, que reivindica não apenas mais quantidade de serviços, mas, sim, a sua transformação em qualidade. O problema não é o que os governos fizeram. É o que eles não fizeram e ainda não estão fazendo.

O governo tem tomado medidas que apesar de produzirem ruídos no curto prazo vão todas na direção de aumentar a produtividade total da economia no prazo médio, o que significa que estamos nos preparando fisicamente para acelerar no futuro a taxa de crescimento.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC

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