A sofredora Renata, de "Sangue Bom", tem tudo para se tornar mais um papel marcante na carreira da atriz Regiane Alves. Na trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, a mocinha não resiste às investidas de Tito (Rômulo Neto), primo de seu noivo Érico (Armando Babaioff), e acaba caindo nas garras do playboy às vésperas de seu casamento. Arrependida do deslize, ela fará de tudo para reconquistar seu amor de adolescência.
O dilema da personagem, claro, acabou se tornando um prato cheio para as telespectadoras. "Estou tendo retorno do público nas ruas. As mulheres se veem muito nesta situação: de amar o marido, mas se sentirem atraídas por outro. Tenho ouvido vários segredos delas", diverte-se Regiane.
Bons papéis, aliás, são uma marca registrada na carreira da atriz, que estreou no SBT em 1998, já como a protagonista da novela "Fascinação". Após uma curta passagem pela Rede Bandeirantes, onde participou apenas da novela "Meu Pé de Laranja Lima", Regiane foi escalada para viver a inocente Rosália na minissérie "A Muralha", da Rede Globo (2000).
Depois disso, integrou o elenco de "Laços de Família" (2000) e "Desejos de Mulher" (2002) antes de conquistar seu papel de maior destaque: a vilã Dóris, de "Mulheres Apaixonadas" (2003),famosa nacionalmente por agredir seus avós. Após colaborar em outras dez produções da emissora carioca nos anos seguintes, Regiane chega agora em 2013 tendo a oportunidade de mostrar todo o seu talento com uma personagem bastante conflituosa em "Sangue Bom". E foi justamente sobre os desafios trazidos pela nova trama das sete que a atriz falou em uma entrevista exclusiva.
Como você enxerga a traição da Renata?
Regiane Alves - A Renata ama o Érico e sente atração pelo Tito. São sentimentos diferentes e ela tem isso bem definido. A Renata nunca teve outro homem na vida! Ela está há 15 anos com o Érico e sentiu desejo de viver outras experiências. Surgiu essa oportunidade, ela viveu, realizou e isso não interferiu em nada no que sente pelo Érico.
A cena da traição foi difícil de fazer?
Regiane - Difícil foi fazer toda essa linha dramática da personagem. Ela tem muito conflito e muito sofrimento. Primeiro, ela se sente culpada, envergonhada e humilhada. Depois, revolta-se por estar sendo acusada pelo único deslize que cometeu. Isso faz com que ela tenha atitudes irreconhecíveis.
Você se inspirou em alguém para compor a Renata?
Regiane - Assisti a um filme, por sugestão do autor, que se chama "Entre o Amor e a Paixão". Só para ter noção que iríamos contar uma história sobre o fim de uma relação. E tenho preparação com a (coach) Katia Achcar, que me ajuda a construir a personalidade desta personagem.
Como atriz, você se sente realizada com uma personagem tão cheia de conflitos?
Regiane - Sim, é um trabalho minucioso. Toda atriz espera por uma oportunidade dessas.
Você torce para que ela e o Érico fiquem juntos?
Regiane - Eu quero que ela acabe com o Érico, sim. O Tito foi algo passageiro. É o famoso clichê: todo mundo merece uma segunda chance. E ela vai lutar até o fim para reconquistar o Érico.
Você tem recebido retorno do público nas ruas sobre a traição da personagem?
Regiane - Sim, estou tendo retorno e a torcida é pelo Érico. Todos estão me alertando para não cair no papo do Tito. As mulheres se veem muito nesta situação de amar o marido, mas de se sentirem atraídas por outro. Tenho ouvido vários segredos delas (risos).
A novela "Mulheres Apaixonadas" completou 10 anos em 2013 e a Dóris continua sendo uma personagem marcante. Como é esse reconhecimento para você?
Regiane - O Manoel Carlos estava inspirado quando criou a Dóris. Nem ele, nem eu, sabíamos que ela ia ser maior do que o criador. É curioso isso: já se passou uma década e ela ainda está no imaginário da população. Ainda sou reconhecida como a neta que maltratava os avós.
Você transita com facilidade entre mocinhas e vilãs. Tem preferência?
Regiane - Prezo muito a versatilidade. Essa é a minha busca constante no trabalho. Mas tenho preferência mesmo por um bom texto, que é o principal para desenvolver um trabalho. Sem isso, é impossível fazer a personagem brilhar.
Tem algum personagem da teledramaturgia que você gostaria de fazer em um remake?
Regiane - Eu amo "Anos Rebeldes"! Gostaria muito de ter feito a Heloísa, personagem da Cláudia Abreu.
Ainda sobre televisão, teve alguma novela ou série que lhe marcou como telespectadora?
Regiane - A série "Engraçadinha" e a novela "Top Model". Gostaria de revê-las porque fizeram parte da minha adolescência. Nessa época, eu assistia muito à televisão.
Além de "Sangue Bom", você tem outros projetos para 2013?
Regiane - No segundo semestre será lançado o longa "Isolados", com direção de Tomás Portella. Faço o filme ao lado do Bruno Gagliasso e é o primeiro do gênero thriller brasileiro. E também o romance infanto-juvenil "O Menino no Espelho", de Fernando Sabino, para janeiro de 2014. Já no teatro, tem uma peça da Maria Adelaide Amaral que eu quero muito montar no ano que vem.