Fotos: Divulgação |
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Prado e Pita conduziram trabalhos |
A última sessão da Câmara de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) antes do recesso parlamentar, ocorrida anteontem, foi marcada pela renúncia dos vereadores Jonadabe José de Souza (PSC), o Jonas, e Manoel dos Santos Silva (PSDB), o Manezinho, dos respectivos cargos de vice-presidente e primeiro-secretário da Mesa Diretora.
Apesar de alegarem motivos diferentes, a saída dos parlamentares tem como pano de fundo a investigação de supostas irregularidades atribuídas a Manezinho pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.
O primeiro a anunciar a sua renúncia, logo após o início da sessão, foi Jonas. Na sequência, Manezinho também declarou que estava deixando a sua função administrativa na Mesa.
Os trabalhos foram conduzidos apenas pelo presidente Humberto José Pita (PR), o Dr. Pita, e pelo segundo-secretário Anderson Prado de Lima (PV), o Prado.
Ao final, o Legislativo decidiu por unanimidade arquivar o parecer da Comissão de Ética que recomendava a destituição de Manezinho da função de primeiro-secretário da Mesa e das Comissões da Casa sob o argumento de que o documento havia perdido sua função com a renúncia do tucano.
Ele era alvo de dois pedidos de Comissão Processante por suposto uso indevido de celular da Câmara em viagem ao Mato Grosso do Sul, com conta paga pelo Legislativo, e recebimento de salário integral relativo a outubro do ano passado, sem que fosse descontado o dia de uma sessão em que ele não compareceu por conta da viagem.
A Câmara entrará em recesso no próximo dia 8. No dia 22, quando está previsto o retorno dos trabalhos legislativos, às 18h, os vereadores irão se reunir para definir quem ocupará os cargos de vice-presidente e primeiro-secretário da Mesa Diretora. A escolha deverá ser feita por meio de votação.
Justificativas
Jonas declara que a sua saída foi motivada por divergências com Pita.
“Eu renunciei por não concordar com as atitudes do presidente. A gente já vinha há algum tempo tendo desencontros sobre contratação de assessores, valores gastos em eventos realizados e contratos de licitações e algumas coisas que a gente não concordava”, afirma. A gota d’água para sua renúncia, segundo o vereador, foi o fato da Mesa ter acatado parecer do relator da Comissão de Ética recomendando a destituição de Manezinho da função de primeiro-secretário.
“O relator fez um parecer contrariando todo o Regimento Interno e eles acataram o parecer dele. Eu fiz o meu parecer e foi voto vencido”, diz.
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Manezinho deixou cargo |
‘Por que sou pobre?’
Em seu discurso, Manezinho justificou sua saída alegando que vem sendo perseguido por pessoas que nutrem raiva e ódio contra ele.
“Eu fico me perguntando se isso não é preconceito, sr. presidente. Será que é por que sou negro? Será que é por que sou pobre? Ou será que é por que sou nordestino? Por que será que estou sendo tão perseguido?”, questionou.
O parlamentar elogiou a atitude de Jonas e, em diversos trechos, citou Deus, sua fé e seus eleitores. “Fui eleito e reeleito por pessoas simples como eu, em sua imensa maioria, pobres, que lutam com a vida, que enfrentam problemas maiores que suas forças e que precisam de ajuda para resolver cada um deles”, declarou.
Manezinho insinuou que haviam “inventado” processo na comissão de ética para acabar com ele. “Fui chamado a me explicar perante a Comissão de Ética, mas já havia uma opinião formada, já tinham tomado a decisão”, diz. “O Regimento Interno foi desrespeitado várias vezes no processo de investigação”. Questionado sobre a renúncia antes da análise e votação do parecer em plenário, o vereador justificou que não teria “clima” para permanecer na Mesa.
“Até tinha a certeza de que a gente seria absolvido, que a gente iria ter maioria de votos, mas, ficando na Mesa, eu não teria clima para ficar ao lado do relator, que estava me dando a punição”, alega.
Prado avalia que a Comissão de Ética cumpriu sua função e conta que o processo será remetido ao Ministério Público (MP). “Eu acho que a Câmara cumpriu o papel de investigar e dar prosseguimento. O parecer não foi para votação, mas, de uma forma ou outra, a sugestão do parecer indiretamente foi acatada com a renúncia do primeiro-secretário”, declara.
