Luiz Fernando/Jornal Acontece Botucatu |
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Manifestantes usam cartazes para adesão à mobilização nacional de ontem por ruas de Botucatu |
Cerca de 400 pessoas - entre médicos contratados e residentes, professores e estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) e médicos da rede básica - aderiram à paralisação nacional da categoria contra a “importação” de profissionais estrangeiros e deram um abraço simbólico no Hospital das Clínicas (HC).
Eles conseguiram reunir 2.800 assinaturas num abaixo-assinado que pede melhorias na saúde.
O grupo se reuniu às 9h, em frente ao hospital. Antes, os médicos percorreram os ambulatórios para avisar os pacientes sobre o ato. “Atividades eletivas, como consultas e alguns exames, foram todos remarcadas.
Parte das pessoas já tinha, inclusive, sido atendida ontem e quem não foi atendido vai ser o mais breve possível”, conta o médico Pedro Bonequini Junior, um dos coordenadores do movimento. “As atividades de urgência e emergência funcionaram normalmente”.
O abraço simbólico no Hospital das Clínicas ocorreu por volta das 10h30.
“A gente não está só aderindo ao movimento nacional, mas solicitando um financiamento adequado a esse hospital”, declara o médico.
Às 13h, médicos, docentes e alunos seguiram em passeata pelas ruas do Centro de Botucatu até o Largo da Catedral. A Polícia Militar (PM) e Guarda Civil Municipal (GCM) ajudaram a garantir a segurança dos manifestantes durante todo o percurso.
Em seguida, vários grupos se dividiram pelas principais avenidas da cidade visando à coleta de assinaturas de populares para um abaixo-assinado que reivindica melhorias na saúde.
Até às 16h, quando o ato foi encerrado, 2.800 assinaturas já haviam sido coletadas. O documento foi entregue ao delegado regional do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em Botucatu, José Carlos Christovan, o Bazuca.
Mais recursos
Bonequini Junior diz que a categoria defende a destinação de 10% da receita bruta federal à saúde e a reformulação da Comissão Nacional de Residência Médica por falta de representatividade. Os profissionais também criticam contratação de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma.
“Pode vir médico de qualquer canto do mundo, porém, existe um princípio até de reciprocidade. Se eu tiver que trabalhar em outro país, eu tenho que revalidar o meu diploma”, alega.
Os médicos apoiam projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que propõe a criação da carreira de Estado de médico. “Um último ponto é denunciar possíveis problemas em determinadas unidade de saúde”. O médico ressalta que o ato em apoio à mobilização nacional contou com apoio da direção do HC.
Menos estrutura
A médica Milena Carvalho Libardi destaca que todos os profissionais colocaram tarjas pretas nos jalecos para simbolizar o luto da medicina. “A saúde sofre com a falta de estrutura. Não é falta de médico. Estão faltando leitos, medicamentos, exames”, diz.
“Não tem como eles trazerem médicos sem validar o diploma com o SUS [Sistema Único de Saúde] com uma estrutura precária”.
