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Evento tradicional de Pederneiras atrai grande público e tem caráter solidário para apoio a entidades assistenciais |
O Ministério Público de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) recebeu denúncia protocolada por seis partidos políticos sobre suposta “negociata” envolvendo compra de bebidas que foram comercializadas nas barracas de entidades sociais na Feira das Nações (Fenap) - de 22 a 26 de maio.
A lata de cerveja foi comprada de revendedor em Jaú por R$ 2,50, enquanto a mesma marca era vendida por estabelecimentos da cidade por R$ 1,60 em média. A operação teria sido intermediada por um funcionário comissionado da prefeitura.
A tradicional feira tem entrada gratuita e a renda obtida com a venda de bebidas e comidas típicas ajuda a manter os projetos de entidades sociais. Nos anos anteriores, uma grande distribuidora de Bauru era a responsável pelo fornecimento das bebidas.
Na representação enviada ao MP, dirigentes do PMDB, PT, PSDB, PTB, PSD e PCdoB alegam que, neste ano, antes da feira, Fabiano Pelli Alexandre foi indicado pelo prefeito Daniel Camargo (PSB) para coordenar o evento e apresentou aos representantes das entidades o radialista de Jaú, Nilson Pascoal, como sendo o fornecedor exclusivo de bebidas.
Inicialmente, segundo um dos dirigentes, Pascoal queria cobrar R$ 2,80 para cada lata de cerveja, valor que caiu para R$ 2,50 após negociação.
Os preços da lata de refrigerante e garrafa de água mineral foram fechados, respectivamente, por R$ 2,15 e R$ 1,50, valores considerados elevados pelos autores da denúncia se comparados ao preço de mercado.
Intermediário
No mesmo período, conforme o documento, supermercados de Pederneiras vendiam a mesma marca de cerveja pelo preço médio de R$ 1,60.
Apesar da imposição de um revendedor exclusivo de Jaú, um dos denunciantes conta que a entrega das bebidas foi feita pela distribuidora de Bauru, assim como a cessão das mesas, cadeiras e caixas térmicas.
“Diminuiu-se o lucro, onerou o consumidor porque a cerveja foi vendida a R$ 4,00 para a população e as entidades não ficaram com esse lucro todo. Esse lucro todo ficou na mão de alguém”, afirma.
Os autores da representação criticam ainda a demora de quase um mês na emissão das notas fiscais às entidades sociais. Segundo o documento, as notas saíram no nome de Pascoal Serve, um pequeno estabelecimento comercial de Jaú, que funciona no térreo de uma residência.
“A avaliação sobre a desnecessidade da presença de atravessadores na transação que poderia ser conduzida pelas próprias entidades, levou os partidos a sair em busca do esclarecimento”, pontua.
Os dirigentes dos partidos ressaltam que, há alguns dias, a prefeitura criou o cargo de assessor de feiras e eventos, com salário de R$ 3,2 mil, que foi preenchido por Fabiano.
A reportagem tentou ouvir o prefeito e o servidor mas, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, a prefeitura informou que não havia sido notificada pelo MP. “Assim que recebermos tal notificação, tomaremos ciência de seu conteúdo e nos manifestaremos em tempo”, declarou.
Nilson Pascoal conta que trabalha há mais de dez anos para feiras tradicionais em Lençóis Paulista e Jaú e alega que as entidades concordaram com o valor cobrado pelas bebidas.
“As entidades reclamaram que, no ano passado, a empresa de Bauru não teve gente que ficou trabalhando a noite inteira, sábado, domingo e feriado”, diz.
“Eu coloquei o meu pessoal, a gente atendeu de noite, sábado, domingo e feriado e isso tem custo. Foi falado o preço e foi aprovado o preço pelas entidades na reunião”.
Vereadores cobram
Na sessão da semana passada, os vereadores Zezé Pegatin, Mauro Soldado e Chapéu, todos do PSDB, foram à tribuna para cobrar explicações do prefeito Daniel Camargo (PSB).
Zezé Pegatin quer que o prefeito esclareça os fatos pelos meios administrativos e que vá ao Legislativo explicar o que ocorreu sob a alegação de que a Feira das Nações é custeada com dinheiro público e realizada em área da prefeitura.
Mauro Soldado, vereador que há muitos anos atua junto a entidades sociais, declarou que “Pederneiras não pode fechar os olhos e simplesmente imaginar que não aconteceu”.