A Polícia Militar (PM) desativou temporariamente, no final do mês de junho, o prédio que abrigava a Base Leste da corporação, nas imediações da avenida Rosa Malandrino Mondelli. Desde o dia 20 de junho, o efetivo da região passou a utilizar provisoriamente como ponto de apoio o imóvel que abriga a Base Sudeste, localizado no Jardim Redentor, a cerca de quatro quilômetros da base desativada.
A mudança, apesar de passageira, visto que há um projeto da PM para a construção de uma nova sede no mesmo local, gerou reclamações de moradores das imediações do prédio desativado.
Na manhã de ontem, alguns moradores disseram à reportagem sentirem-se inseguros com a situação, ainda mais após o episódio de homicídio registrado na última quinta feira, quando o corpo de Aline Cristina de Oliveira Moreira, de 25 anos, foi encontrado pela manhã às margens do córrego Barreirinho, que fica a menos de 200 metros da base desativada.
Apreensão
“Deviam montar uma base móvel da PM aqui. Com a desativação, mesmo que provisória, acredito que a criminalidade deve aumentar. Estamos nos sentindo inseguros”, revela o aposentado Eliseu Costa Gomes, de 55 anos, vizinho da Base Leste.
A mesma opinião é dividida por uma moradora do Núcleo Beija-Flor, que critica ainda a falta de infraestrutura do trecho que compreende a ponte que liga o bairro ao Núcleo Mary Dota.
“O lugar onde a mulher foi encontrada morta é muito escuro e repleto de mato alto. Ali é ponto de usuários de drogas e esconderijo de bandidos. Temos muito problema com isso aqui. Todos os meus vizinhos estão apreensivos com essa situação”, comenta a moradora, que pediu para ter a identidade preservada.
‘Nada muda’
De acordo com o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Flávio Jun Kitazume, não há o que temer diante da situação, já que a mudança foi necessária para que o bairro, considerado um dos mais populosos da América Latina, pudesse receber uma nova sede da Polícia Militar, no mesmo local. Além de abrigar os 30 policiais da Base Leste, o novo imóvel também acolherá outros 140 homens do efetivo da 4ª Companhia da PM.
“Não temos a intenção de sair de lá. O policiamento comunitário e os patrulhamentos continuam da mesma forma, não mudou nada. O efetivo utiliza por tempo mínimo a Base Sudeste, que serve apenas como um espaço físico. A comunidade não pode ficar alarmada achando que está abandonada, pelo contrário iremos reforçar as condições de atendimento naquela região”, ressalta o subcomandante.
O processo para a construção de uma nova sede está em andamento e o anteprojeto já foi submetido à diretoria de finanças da corporação na Capital, conforme explica o responsável pelo projeto, capitão Fabiano Serpa. A planta inicial prevê a construção de um imóvel com 400 m2 de área construída, que incluirá alojamento, estacionamento, banheiros, copa/cozinha, recepção, almoxarifado, salas para o setor administrativo, estatístico, entre outros, tudo feito dentro dos parâmetros de obras da corporação.
Contudo, o parecer sobre o anteprojeto ainda não foi emitido. A expectativa é de que a autorização aconteça ainda neste ano e que a construção seja incluída no calendário de obras do Estado para 2014 ou, ainda, que a liberação dos recursos aconteça, no mais tardar, em 2015.
Já a desativação do antigo prédio da Base Leste e a demolição do local, que é todo de madeira, está em andamento desde o final de junho. Ontem, alguns serviços eram realizados por policiais que trabalhavam na segurança da antiga base.
Possibilidade
Antes do início das obras para construção do novo prédio, porém, a Polícia Militar avalia junto ao município a possibilidade de restabelecer, também de forma provisória, a Base Leste no local onde hoje funciona o Núcleo de Saúde do Mary Dota, localizado próximo ao frigorífico existente no bairro, a menos de dois quilômetros da base desativada. “Acredito que irá facilitar, se tudo der certo”, comenta o tenente responsável pelo efetivo da base, Rafael Ramos.
No início de agosto, a unidade de saúde deve ser reinaugurada em um novo prédio, ao lado da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA).
A transferência do efetivo leste da Base Sudeste para o local, contudo, depende da confirmação, que pode acontecer até o final deste mês.
Sem condições
Construído na década de 1980 para servir como local de apoio aos funcionários que trabalhavam nas obras das casas do Núcleo Mary Dota, o imóvel da Base Leste da Polícia Militar, em Bauru estava, literalmente, caindo aos pedaços, conforme o JC mostrou em uma reportagem publicada em março deste ano. Na ocasião, a PM já procurava por uma sede provisória na cidade para deixar o local. A mudança, contudo, foi feita de modo emergencial nos últimos dias, já que as condições do prédio estavam colocando em risco os policiais e a população.
Éder Azevedo |
|
|
Base fica a menos de 200 metros do local onde uma mulher foi achada morta esta semana |
