Regional

Retirada de árvores em área de ex-presidente é cancelada

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

O corte de eucaliptos às margens do córrego do Veado, em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), no entorno da fazenda São Pedro, que pertenceu ao ex-presidente da República Rodrigues Alves, foi suspenso pelo Ministério Público (MP) após solicitações da Câmara e Prefeitura.

O vereador Bruno Pereira Chies (PSB) contestou a supressão das árvores exóticas por defender o tombamento histórico do imóvel.

A ONG SOS Cerrado, de Bauru, defendeu junto a Promotoria de Justiça de Piratininga que as plantações de eucalipto às margens do córrego deveriam ser suprimidas e substituídas por matas nativas.

O manancial fica em Área de Proteção Permanente (APP). A promotora Flávia Maria José Bovolin, com base em laudo, autorizou retirada dos eucaliptos secos que estão em uma área alagada impedindo a regeneração da mata ciliar às margens do córrego afluente na margem esquerda do Ribeirão Água do Veado.

O engenheiro agrícola e de segurança do trabalho José Alfredo Pauletto Pontes afirmou por escrito ao MP que a supressão de eucaliptos teria por finalidade permitir a recomposição da mata ciliar.

Segundo ele, a área está parcialmente ocupada por capim colonião e capim brachiara, ervas invasoras e dominantes que teriam de ser erradicadas para permitir e assegurar a sobrevivência das mudas de árvores nativas.

Compromete

Contudo, a retirada dos eucaliptos foi questionada pelo vereador Bruno Pereira Chies. Ele argumenta que existe projeto de tombamento histórico, cultural e arquitetônico do casarão localizado na Fazenda São Pedro, que serviu de residência para a família de Rodrigues Alves, que administrou o Estado de São Paulo por três vezes e foi presidente da República.

Na última sexta-feira, ele, o presidente da Câmara, Wander Luis Rodrigues, e o vereador Ricardo da Silva pediram ao MP para que o corte das árvores fosse imediatamente suspenso.

“O corte de vegetação pode comprometer todo o processo e acarretar prejuízos incalculáveis para o meio ambiente, a cultura e história da população do município de Piratininga”, afirma Chies.

No mesmo dia, o prefeito Carlos Alessandro Franco Borro de Matos, o Sandro Bola (PSDB), informou à promotora que a empresa Duraflora S.A., responsável pela área atualmente, não havia encaminhado a documentação completa como croqui indicando o local e a quantidade correspondente à supressão das árvores exóticas, laudo, projeto elaborado por profissional habilitado com a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e Termo de Compromisso de Recuperação (TCRA) obtidos junto à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

O JC telefonou para Bovolin e ela informou, por meio de um oficial de promotoria, que iria analisar o pedido da Câmara e da prefeitura no prazo de 30 dias. “Vai analisar o pedido da prefeitura e solicitar o parecer de um técnico ligado ao MP que deve emitir novo laudo”, declarou. Nessa semana, porém, o MP decidiu suspender o corte das árvores.

‘Currículo’

O ex-presidente Rodrigues Alves foi eleito duas vezes presidente - cumpriu integralmente o primeiro mandato (1902-1906), mas morreu antes de assumir o segundo mandato, que deveria se estender de 1918 a 1922.

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