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Furtos e atos de vandalismo com as tampas de bueiro agravam enchentes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A cada dia, ao menos um novo bueiro fica sem tampa em Bauru. Desprotegidas, as bocas de lobo se tornam armadilhas fáceis para pedestres e veículos, além de favorecerem a entrada de entulho e lixo nas galerias de água pluvial, o que agrava os riscos de entupimento e consequentes enchentes.

Malavolta Jr.

Bueiros sem tampas agravam risco de enchente e acidentes

Segundo dados da divisão de drenagem da Secretaria Municipal de Obras, a cada dia, ao menos uma tampa de bueiro “desaparece” na cidade. Por mês, são cerca de 40 registros, totalizando 480 coberturas perdidas a cada ano. Embora o custo de fabricação não seja alto, os prejuízos para a cidade são evidentes.

O titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues, explica que grande quantidade de tampas simplesmente “some” dos bairros e da área central devido a furtos, atos de vandalismo e até à força das enchentes. “Muitas galerias da cidade não têm a dimensão apropriada para dar vazão à água da chuva. Sob pressão, a tampa acaba saindo do bueiro e sendo levada pela enxurrada”, comenta.

É o que ocorre com certa frequência, por exemplo, na avenida Nações Unidas. Mas Rodrigues salienta que grande parte das coberturas também é retirada pela própria população. “Nos bairros, as pessoas furtam porque a tampa tem uma malha de ferro que pode ser comercializada. Há ainda quem as leve para usar como rampa de acesso em frente às casas ou até para tapar buracos em ruas de terra”, detalha.

Os danos provocados pelo tráfego de veículos também ocorrem, mas são menos comuns. De acordo com a divisão de drenagem da secretaria, as regiões onde os bueiros são levados com maior frequência são os núcleos José Regino, Mary Dota, Geisel e Bauru 16, jardins Ouro Verde, Nova Esperança e Bela Vista, vilas Bela e Dutra, parques Santa Edwirges e Viaduto e toda a extensão das avenidas Castelo Branco, Comendador José da Silva Martha e Cruzeiro do Sul, bem como a própria Nações Unidas.

Até sofá

“Os furtos costumam acontecer mais nos lugares com poucas residências e menor fluxo de pessoas, já que a tampa é pesada e nem tão simples de ser manuseada”, pondera o secretário. O gasto do município com substituições chega a R$ 19,2 mil por ano e o prejuízo financeiro só não é maior porque é a própria Secretaria de Obras quem fabrica os dispositivos, ao custo de R$ 40,00 a unidade. A, tendência, no entanto, é de que o volume de problemas aumente, já que a administração municipal ainda tem planos de implantar mais 25 quilômetros de galerias nos próximos anos.

Segundo Rodrigues, a única solução definitiva seria soldar as tampas, algo impossível diante da necessidade de manutenção periódica dos bueiros. “As bocas de lobo da área central e de regiões nos bairros onde há comércio e em fundos de vale precisam ser limpas ao menos uma vez por mês, porque as pessoas jogam lixo mesmo”, considera.

Os riscos de enchentes crescem na mesma proporção da falta de conscientização da população, associada à insuficiência de profissionais para fazer a manutenção dos bueiros. Atualmente, a divisão de drenagem da secretaria conta com apenas seis funcionários e um caminhão para realizar o serviço em toda a cidade.

O número, é claro, está bem aquém do mínimo necessário, já que Bauru possui aproximadamente 6,8 mil bocas de lobo. Para fazer o trabalho sem atrasos, segundo Rodrigues, seriam necessários 24 homens e três caminhões. “O serviço é feito manualmente e as pessoas jogam tudo dentro dos bueiros. Já encontramos eletrodomésticos e até sofás inteiros dentro das galerias, o que dificulta bastante o trabalho da equipe”, lamenta.


Comércio de malha de ferro

Segundo o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, muitas tampas de bocas de lobo são furtadas para a retirada da malha de ferro que faz parte de sua estrutura básica. O produto é comercializado em depósitos de materiais recicláveis e ferros-velhos clandestinos.

“A boca de lobo é feita de um material fácil de ser quebrado com marreta. Se a malha ficar intacta, pode ser vendida por um valor considerável, mas não se trata de um grande negócio. Geralmente, são dependentes químicos que furtam para conseguir algum dinheiro para sustentar o vício em drogas”, detalha.

Em matéria publicada no final de junho, o JC já alertava para os prejuízos causados pela grande quantidade de furtos de fios e cabos de empresas de telecomunicações, energia elétrica e de água e esgoto. O crime tem como finalidade reaproveitar e comercializar ilegalmente materiais metálicos como cobre e ferro e, muitas vezes, é encabeçado por quadrilhas especializadas.

Por este motivo, um projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa para criar uma política estadual de combate à prática. O principal objetivo é exigir o cadastramento das empresas de ferro-velho, que serão obrigadas a comprovar a origem dos produtos adquiridos. A lei ainda aguarda sanção do governador Geraldo Alckmin.


Prefeitura vai devolver a máquina de sucção

O secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, revelou que irá devolver a máquina de sucção a vácuo adquirida pela prefeitura no final de 2011. Conhecido como “sugão” e avaliado em R$ 400 mil, o equipamento teria a finalidade de desentupir as galerias com maior agilidade.

O problema é que, desde que chegou à secretaria, a máquina nunca funcionou. “A empresa que venceu a licitação não era especializada no ramo e não conseguiu colocar o equipamento em funcionamento”, observa Rodrigues.

Dotada de uma mangueira, a máquina é acoplada a um caminhão e deveria sugar o entulho dos dutos para dentro de um contêiner que fica sobre o veículo. “A mangueira sugava, mas não conseguia armazenar o lixo no contêiner”, completa.

Passado mais de um ano e meio, a secretaria cancelou a compra e irá devolver o equipamento. Além de não efetuar o pagamento, decidiu multar a empresa em R$ 50 mil e ainda poderá proibi-la de participar de novas licitações pelo período de seis meses. Segundo a secretaria, o equipamento teria capacidade para realizar o serviço executado por dez homens.

 

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