Uma instituição pública, que é sustentada com o dinheiro dos nossos impostos, e que, apesar disso, sente-se aviltada e reage muito mal a qualquer tentativa de abertura de seus arquivos, ou de ser convidada a ser transparente para com quem a mantém, promoveu recentemente equivocadas mudanças internas com o intuito de aumentar de forma irreal a sua taxa de ocupação: obriga os seus assistidos a nele adentrar um dia antes do serviço que será prestado. Isto era feito no passado, e foi abolido por ser primeiramente absolutamente desnecessário e por aumentar os gastos e o estresse de seus beneficiários e familiares. Ao invés de atuar prontamente sobre os verdadeiros motivos que estão levando à evasão dos beneficiários, a instituição se contorce para maquiar numerais de taxa de ocupação na esperança de fazer elevá-los. A quem pode interessar a denúncia? Aos pagadores de impostos deste País!
O custo tão alto desta instituição deve-se ao fato dela servir de "cabide de emprego", no qual ela foi erigida e alicerçada, e, em troca, o seu donatário foi mantido no poder por quase meio século. Setores que sequer deveriam existir, dadas as características específicas de sua atuação, figuram com o "status" de departamento, onerando a folha de pagamento e desviando recursos do benefício alvo da instituição. Como muitas coisas neste País, esta instituição necessita ser "passada a limpo", sem medo e sem ódio. Para o bem de seus beneficiários, da população que a sustenta e do progresso da ciência.
Não é agredindo quem fala a verdade, que os "ex", que continuam atuais, ainda inebriados de poder e usufruindo da estrutura montada, conseguirão responder às perguntas e denúncias que foram trazidas a público. Nenhuma justificativa foi dada para a falta da gênese de conhecimento em suas custosas dependências. Como uma instituição, que custa uma fortuna aos nossos bolsos, não produz nada de original e de novo em sua área de atuação? Ao contrário, comporta-se como uma rádio, apenas reproduzindo e retransmitindo os conhecimentos gestados em mentes estrangeiras, que nem sempre geram o melhor, e que quando aqui chegam pensam que somos um bando de incompetentes por não gerar conhecimento, tendo em nossas mãos a grande oportunidade para fazê-lo. Mas não sabem dos pequenos grandes detalhes que "emperram" o desenvolvimento científico. Muito cacique para pouco índio, jogo de vaidades e disputas por cargos e salários relegam a terceiro plano o principal objetivo da instituição. Quanta irresponsabilidade! O "Miolinho", como é conhecida a nossa instituição imaginária, cresceu, mas não apareceu para o mundo científico sério.
Passar "Miolinho" a limpo significa que a sociedade deixará de sustentar profissionais que entraram sem concurso (e que por isto mesmo defendem o Miolinho com palavras, unhas e dentes); que os seus beneficiários terão um serviço objetivo sem passar por maratonas desnecessárias de atendimento que visam apenas ocupar o excesso de contingente de determinados profissionais; que a cidade poderia ganhar uma instituição de primeiro mundo; que, finalmente, mas não menos importante, "Miolinho" poderia moralizar seu quadro de profissionais.
Apenas alguém que está fora da força gravitacional das feras do Miolinho, mas que conhece bem as suas entranhas, tem a tranquilidade patriótica para expor à sociedade as verdades não ditas a respeito dele, pois "só pode cuspir no prato, quem dele comeu", modificando o famoso ditado popular, que seguramente foi criado e difundido por quem queria que verdades inconvenientes testemunhadas em um determinado local jamais fossem reveladas. Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
O autor, Antonio Guedes A. Assunção, é médico, cirurgião plástico, mestre em cirurgia plástica reparadora pela Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, e membro iitular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica)