O inverno até começou úmido e com jeitinho de primavera, mas não deve continuar assim. É o que aponta o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que prevê o início do período de estiagem, de fato, já para esta semana.
“Tudo indica que não teremos chuvas nos próximos dias. A atmosfera deu uma boa secada e, agora, é esperar por longos períodos sem chuvas, principalmente entre julho e agosto”, afirma o meteorologista Eduardo Gonçalves.
Já marcando o início da seca, a umidade relativa do ar, no último domingo, chegou a 36% durante a tarde, índice considerado comum dentre os registros ao longo da estação.
Ainda de acordo com Gonçalves, as baixas umidades relativas que, na região, normalmente ficam entre 70% e 80%, devem alcançar nesta estiagem uma média de 50% a 60%.
A previsão também aponta que o tempo seco deve provocar os chamados estados de atenção, alerta e até de emergência (leia mais no quadro) no município.
“O estado de emergência é um pouco incomum, acontece mais em regiões como do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, mas não está descartado para Bauru. Já os estados de atenção e de alerta devem acontecer neste inverno com certeza”, frisa o meteorologista.
Períodos
Baixa umidade é sinônimo de desconforto e aumento de possibilidades de doenças respiratórias, já que a ação da poeira e o desenvolvimento de ácaros, por exemplo, são beneficiados pelo tempo seco.
Contudo, segundo o meteorologista, a estiagem deste ano não deve ser tão rigorosa quanto a de 2012, quando a falta de chuvas castigou a cidade por quase 50 dias consecutivos.
“Teremos chuvas, mas intercaladas com períodos que poderão variar de 10 a 20 dias ou até 40 dias de seca”, afirma Gonçalves, acrescentando que a partir da segunda quinzena de setembro, episódios com pancadas de chuvas isoladas passarão a ser mais frequentes. O inverno termina oficialmente em 22 de setembro.
Queimadas
Considerada um facilitador para alastrar e causar grandes incêndios, a estiagem já começa a preocupar o Corpo de Bombeiros de Bauru.
Durante o inverno, assim como em períodos de enchentes no verão, a corporação cria uma escala complementar com todo o efetivo, que fica de sobreaviso para atuar em caso de emergências.
“Estamos atendendo uma média de dois a três chamados para conter fogo em mato todos os dias. Ainda não sentimos a estiagem, que chega a registrar de 15 a 30 ocorrências diárias, mas já estamos preparados para o que vem pela frente”, comenta o sargento do Corpo de Bombeiros Marcos Mira.
Promover queimada é crime previsto pela Lei Municipal 4.362/99. Quem for pego em flagrante está sujeito à multa e até mesmo prisão, conforme a gravidade do caso.
Atenção, crianças e idosos
De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag, os maiores alvos da combinação tempo frio e estiagem são as crianças e os idosos. Logo, esses dois públicos devem redobrar os cuidados.
Ele acrescenta que, desde o início do inverno, o volume de atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Pronto-Socorro Central (PSC) já cresceu, embora o frio ainda não tenha chegado com força. “O volume de consultas deve subir até 12% nesta época. Já estamos bem sobrecarregados porque, além das síndromes gripais, atendemos muitos pacientes em decorrência da epidemia de dengue, embora essa demanda específica venha diminuindo”, concluiu.
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