Tribuna do Leitor

Médicos


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Marcia Folkis, a senhora está sendo incoerente em suas críticas, principalmente em relação a minha conduta em atendimento ambulatorial no meu consultório. Embora não tenha declarado meu nome, não tenho receio algum em informar a todos que o pneumologista citado era eu. Vamos aos fatos: quando a senhora procurou marcar consulta comigo foi lhe informado que não havia horários disponíveis naquele dia, pois eu sempre procuro respeitar meus limites físicos e mentais, que se situam em dez horas de atendimentos ininterruptos. Esse limite independe se o paciente possui Unimed (único plano de saúde que atendo) ou se é particular...

Isso é um princípio ético que preservo desde o dia que recebi o diploma de médico. Infelizmente, a senhora procurou seu irmão, que faz trabalho de assessoria de informática para a minha clínica, Unidade Cardio-Respiratória, instalada nessa cidade há 35 anos, procurando usar um "jeitinho" brasileiro, não contumaz nos Estados Unidos, onde informa que residiu por muitos anos, visando garantir um atendimento extra, que foi atendido em consideração ao seu irmão. A senhora foi atendida no horário porque uma paciente agendada faltou e não porque existia horário marcado, visto que seria atendida no fim dos demais atendimentos. Aliás, nesse atendimento, a senhora consumiu mais de uma hora, pois havia uma complexidade de dados que precisaram ser detalhados, além de comentários sobre seus atendimentos nos Estados Unidos. Não houve atraso nos demais atendimentos posteriores, pois a senhora era a última paciente do dia.

Poucos dias após, recebi a informação que a senhora tinha sido atendida "en passant" por um outro médico, quando acompanhava seu pai numa consulta com o mesmo, que lhe havia prescrito medicação específica para vírus, especialmente diante de suspeita de gripe "A", e, nessa ocasião, foi lhe respondido que então prosseguisse o tratamento com aquele médico, pois seria impossível um paciente ter dois pneumologistas conduzindo seu caso clínico.

Não houve resposta e como havia retorno programado para que eu avaliasse os exames por mim solicitados, informei à minha secretária que mantivesse seu agendamento de retorno, pois não havia confirmação de seu comparecimento, o que mais tarde aconteceu. Nesse dia, por motivos alheios à minha vontade médica, alguns casos mais complexos apareceram e consumiram mais tempo que habitualmente levo no atendimento de rotina, em geral 30 minutos, tal qual acontecera no seu próprio atendimento "extra" e anteriormente.

Realmente, houve um atraso de cerca de uma hora e todos os pacientes que ali se encontravam aguardando entenderam e esperaram, exceto a senhora, que deixou os exames com a secretária dizendo que voltaria mais tarde. A minha secretária informou-lhe que poderia entrar em contato com a senhora para um atendimento mais tarde ou remarcação, porém a senhora voltou algum tempo depois e retirou os exames sem que eles fossem analisados por mim.

Gostaria que a senhora entendesse que não é a única que conhece o sistema assistencial norte-americano, o qual está muito longe daquilo que a senhora falou, como se estivesse demonstrando vantagens e superioridade por ter residido naquele país, que conheço muito bem. Não venha querer denegrir o tipo de atendimento da recepção da Unidade Cardio-Respiratória por, supostamente, não ter lhe informado sobre o atraso e oferecido outras opções, pois eu posso desafiá-la a provar isso e confrontar com a opinião da grande maioria dos pacientes ali atendidos. Veja bem que a senhora só foi atendida como "extra" em consideração ao seu irmão, teve atendimento antecipado por falta de paciente previamente agendado e confirmado. Não foi o médico que atrasou e simplesmente o paciente que não compareceu. E, nesse caso, também era particular. A senhora consumiu mais que o dobro do tempo habitualmente utilizado num atendimento por necessidade do médico em obter informações que garantiriam um atendimento eficiente, e, agora, vem, pelo jornal, fazer críticas ao que lhe foi oferecido de melhor. Por favor, senhora Marcia, retorne aos Estados Unidos. Aliás, até informou que só voltara para assistir seus pais que tinham idade avançada. Continue seu tratamento lá, pois, pelo que pude avaliar, a senhora tem dúvidas sobre o diagnóstico e a perspectiva de tratamento.

Embora, esteja no Brasil, senhora Marcia, posso interpelá-la judicialmente sobre o assunto, ainda que não tenha citado nome de médicos, mas citou especialidade e posso provar tudo pois seu prontuário na Unidade Cardio-Respiratória possui todos registros de seu atendimento. As indenizações aqui não são tão grandes como lá, mas podem ter repercussões sérias a v.sª. Quanto ao dermatologista, não faço comentários, mas, por favor, respeite a classe médica, a senhora e sua irmã...

Lindolfo Cruz Pinheiro, CRM 21.691 - TE/SBPT

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