Tribuna do Leitor

Médicos cubanos seriam mesmo a solução?


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Acredito que a melhor solução para o problema da saúde em nosso País seria, em primeiro lugar, a falta de corrupção ou a honestidade de deixarmos as verbas chegarem ao seu destino final sem desvios. Isto geraria uma maior aquisição de equipamentos, aparelhagem e medicamentos. Em segundo lugar, um plano de carreira para o médico assim como existem planos de carreira para juízes, promotores, etc.

Nos menores municípios deste País existem juízes, promotores e delegado, que sabem que, ao amadurecerem, tendem a migrar para centros maiores e mais desenvolvidos com escolas para os filhos, universidades, centros de lazer, etc. Quais dos senhores aqui que criticam tanto o médico gostariam de ver seu filho médico, que lutou pelo diploma, passar o resto de sua vida em uma cidadezinha, mesmo ganhando muito (como o governo promete) sem infraestrutura para educar seus filhos? O plano de carreira eliminaria este problema, pois os médicos, assim como os magistrados, iriam migrando para centros maiores e, quando estes tivessem filhos em idade mais avançada, poderiam sim estar em cidades mais condizentes com seus anseios. Gostaria de deixar claro que os médicos conscientes não estão preocupados com a invasão cubana... Eles todos serão bem-vindos desde que se submetam aos exames exigidos pelo Conselho Federal de Medicina.

Todos os países exigem tal exame, por que não aqui? Existem fortes indícios que vários brasileiros foram cursar medicina em Cuba, Bolívia, Colômbia e Argentina. A concorrência por lá e a anuidade das faculdades são infinitamente menores do que as nossas. Eles estão querendo voltar. E, agora, com a desculpa que o nosso problema é a falta de médicos, a presidenta está promovendo o retorno deles sem a necessidade do tal "revalida". A nossa presidente pode ser tudo, menos burra... Ela, mais do que ninguém, sabe que, se numa cozinha falta comida ou fogões para aquecer a comida, ela não iria resolver o problema contratando garçons. Portanto, lutemos, sim, por uma saúde melhor para todos. Por favor, não ataquem os médicos porque nós também somos vítimas do sistema. Mas, se atacarem, como fez o o ilustre professor e jornalista Henrique Perazzi de Aquino, nesta tribuna, no dia 8 de julho de 2013, saibam que, ao contrário do que ele fala em suas linhas, o nosso juramento ainda é levado a sério. E que, mesmo sendo atacados, temos o dever, e por que não dizer a satisfação, de prestar atendimento ao nosso semelhante. Ele sabe tão bem que estamos acima disso que nem exitou em fazê-lo.

Falando em remuneração de professor, sou um cirurgião plástico há 25 anos numa instituição bem respeitada no País e no mundo. Os meus vencimentos atuais são exatamente iguais ao salário-base de um de meus filhos que atua como procurador do município de São Paulo há cerca de dois anos. Fico orgulhoso com isto, pois o filho já superou o pai. Só tem uma coisa que ele e o senhor nunca terão a oportunidade de sentir: é o prazer de devolver uma criança mutilada pela natureza, operada por suas mãos e praticamente reabilitada aos braços de sua mãe. Como o senhor pode notar, professor, o médico não ganha tão mal como o professor, mas não tão bem como um profissional de carreira concursado. Todavia, tem seus prazeres e compensações, ao contrário do senhor, professor. Agradeço aos meus mestres, esta classe tão sofrida e que, sem dúvida, deveria ser mais respeitada e mais bem remunerada.

Eudes Soares Dec Sá Nóbrega, cirurgião plástico do Centrinho, da Unidade de Queimados do Estadual e do consultório, fazendo o máximo para atender no horário combinado

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