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Diretor de hospital na Barra Bonita, José Capelasso relata “concorrência” entre instituições na disputa por profissionais |
Os moradores de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê que precisaram de atendimento de urgência e emergência no último domingo tiveram que retornar para suas casas ou procurar outro Pronto-Socorro.
Os médicos escalados para o plantão no PS do Hospital e Maternidade São José, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), faltaram e, entre às 7h de anteontem e 7h de ontem, a unidade ficou sem profissional.
Segundo o diretor administrativo do hospital, José Maria Capelasso, o problema, enfrentado por muitos municípios tem relação com o valor pago pelos plantões, que não atrai os médicos.
“De segunda a sexta, pagamos R$ 900,00. Nos sábados, domingos e feriados, pagamos R$ 1 mil. Ultimamente, estamos encontrando dificuldade de obter esses médicos a um preço acessível, tipo R$ 1.250,00, R$ 1.300,00, por 12 horas”, diz.
O diretor revela que, para conseguir fechar as escalas nos PSs, como não há vínculo empregatício com os profissionais, as unidades de saúde da região participam de verdadeiro “leilão”.
“Ou seja, o hospital que pode mais vai, evidentemente, oferecer mais”, declara. “O que aconteceu com o plantão desse domingo? Alguém ofereceu mais para os médicos e, chegou na última hora, eles não compareceram”.
De acordo com ele, a escala estava fechada e os profissionais não avisaram com antecedência a direção do hospital sobre a ausência no domingo e nem indicaram outros médicos que pudessem substituí-los, conforme determina o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Além de colocar um cartaz na porta do PS para avisar a população sobre a falta de médicos, a direção do hospital entrou em contato com emissoras de rádio e TV. Casos considerados comuns foram atendidos pela enfermeira-padrão.
Reunião
Pacientes com problemas mais sérios foram orientados a procurar hospitais da região. Capelasso diz que, no dia 12 de julho, haverá uma reunião para que o hospital avalie a possibilidade de aumentar o valor dos plantões.
Ele conta que, por dia, o PS de Barra Bonita atende entre 270 e 300 pessoas. Por mês, são cerca de 5 mil pacientes. Desse total, 65% corresponde a moradores de Barra Bonita - e 35% a moradores de Igaraçu do Tietê.
O repasse mensal feito pelo primeiro município é de R$ 270 mil. A prefeitura de Igaraçu do Tietê paga ao hospital, por mês, R$ 97.750,00 para garantir que os moradores da cidade tenham PS.
Morte
No período em que o Pronto Socorro de Barra Bonita ficou sem médico, um homem de 45 anos deu entrada na unidade vítima de infarto fulminante.
Segundo o diretor, o paciente já estava morto quando foi atendido pelo diretor clínico do hospital, que estava na unidade se preparando para realizar uma cirurgia.
“Teve um infarto na casa”, afirma. “Ele já tinha passado pelo hospital, ficou quatro dias hospitalizado, recebeu alta do cardiologista, voltou para casa na terça e, infelizmente, veio a falecer ontem [anteontem] de manhã. Segundo a família, acordou e caiu na cama”.