Internacional

Em meio a racha, Egito tem novo premiê

Folhapress
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Após racha político e anúncios desmentidos, foram nomeados ontem o primeiro-ministro e o vice-presidente do governo interino do Egito. O economista liberal e ex-ministro das Finanças Hazem al-Beblawi ocupará o cargo de premiê, enquanto a Vice-Presidência caberá ao Nobel da Paz Mohamed ElBaradei.


ElBaradei fora anunciado premiê no sábado pela mídia estatal, mas sua nomeação enfrentou a resistência do partido islâmico Al-Nur. Outro nome foi recusado pelo mesmo motivo.


À reportagem o fundador do movimento de oposição Kefaya disse, à ocasião, que o grupo salafista estava irritado com o fechamento dos canais islamitas no Egito.


Beblawi, que havia renunciado à pasta das Finanças em outubro, deve ter o apoio político dos salafistas.


Os anúncios, rumores e mudanças de posição durante os últimos dias deram testemunho das dificuldades na formação do governo interino que substituiu o presidente islamita Mohammed Mursi, deposto na semana passa após um controverso golpe militar.


Constituição


Novos rachas na coalizão governista também ficaram evidentes anteontem, quando o presidente interino Adly Mansur emitiu um decreto constitucional prevendo eleições parlamentares após período de cerca de seis meses - e só então eleições presidenciais.


O movimento de oposição Tamarod, que reuniu 22 milhões de assinaturas contra Mursi e mobilizou multidões nas semanas anteriores, criticou ontem o decreto, afirmando que a peça tem ares “ditatoriais”.


“É impossível aceitar (a declaração constitucional), pois ela funda uma nova ditadura”, publicou a organização em sua conta na rede de microblogs Twitter.


A Irmandade Muçulmana, à qual o islamita deposto Mursi está ligado, também rejeitou a declaração de Mansur e organizou anteontem uma nova onda de protestos ao redor do país.


Anteontem pela manhã, um confronto entre islamitas e as forças de segurança ao redor da sede da Guarda Republicana, onde se acredita que Mursi esteja detido, deixou ao menos 51 pessoas mortas. O episódio deve intensificar as disputas políticas no país.


Em grave crise econômica - uma das razões das manifestações em massa contra o governo da Irmandade Muçulmana - o Egito deve receber ajuda dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita, de acordo com informações da agência de notícias Reuters.


Os Emirados dariam US$ 1 bilhão e emprestariam outros US$ 2 bilhões aos egípcios, enquanto as autoridades sauditas ofereceriam um pacote de US$ 5 bilhões.


Não há informações detalhadas sobre as condições para as transações.

 

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