Um dos últimos casarões habitáveis da av. Paulista foi ao chão na manhã de ontem. O sobrado dos anos 1960, no número 1.373, entre as alamedas Pamplona e Casa Branca, estava vazio e disponível para locação desde o ano passado. Nesse período, era protegido por um segurança e um cão pastor alemão - que chegou a chamar atenção de ativistas protetores de animais por ficar sozinho no quintal.
De acordo com André Soares, 31 anos, funcionário de uma banca de jornal que fica em frente à casa, funcionários da demolidora disseram que o imóvel será primeiro um estacionamento e, depois, um edifício de escritórios.
André teve a oportunidade de conhecer o espaço na última Parada Gay, quando pediu ao segurança para usar o banheiro do local. Diz que a casa tinha um salão com palco, uma adega “enorme” e uma sala de cinema.
A casa também tinha móveis antigos que, de acordo com Soares, foram retirados no ano passado antes de ser colocada para locação, quando ainda era habitada por uma senhora “simpática”.
Na última sexta-feira, a Justiça de São Paulo determinou que outro casarão da avenida, a residência Joaquim Franco de Mello, fosse reformado. A conta será dividida entre os herdeiros da propriedade, o governo estadual e a prefeitura. A casa, tombada desde 1992, tem 108 anos.
Outros cinco casarões ainda resistem na avenida.
Segundo o arquiteto e especialista em patrimônio histórico Alexandre Franco Martins, só um estudo aprofundado revelaria se a casa demolida tinha algum valor histórico ou arquitetônico.