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Cinco cidades paulistas fazem campanha por 'santos'


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A vinda do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, de 23 a 28 deste mês, no Rio de Janeiro, mobiliza grupos católicos da Capital e de outras quatro cidades do Estado de São Paulo. Eles acreditam que o papa argentino pode ajudar o processo de canonização de pessoas da terra que o povo já considera santas.


Ibitinga, de 53,1 mil habitantes (78 km de Bauru), está em campanha pela beatificação do menino Nelson Santana, falecido em 1964, aos 9 anos de idade.


O garoto ficara gravemente ferido ao sofrer queda no sítio em que trabalhava e teve o braço amputado.


Ele previu a data de própria morte, na véspera do Natal. Relatos de milagres atraíram multidões à sepultura da criança. Em 2007, Nelsinho passou a ser chamado “servo de Deus”, primeiro título dado pelo Vaticano a quem é reconhecido popularmente como santo.


No mês passado, 20 mil pessoas participaram da celebração de Corpus Christi, que teve como tema a vida de Nelsinho.


Em abril de 2009 teve início o processo de beatificação, etapa que antecede a canonização - três casos de possíveis milagres são analisados pelo Vaticano.


O corpo do menino foi exumado em outubro de 2011 e levado para uma cúpula na Igreja do Bom Jesus de Ibitinga. De acordo com o pároco, padre Lourival Antonio de Moraes, o processo para tornar Nelsinho beato inclui documentos, laudos médicos e o depoimento de 25 pessoas.



Fiéis


Outro candidato a santo é um menino que viveu na capital. Antonio da Rocha Marmo, conhecido popularmente como Antoninho, nasceu no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, em 1918, e morreu aos 12 anos, de tuberculose. Seu túmulo, no cemitério da Consolação, atrai os fiéis.


O processo de beatificação foi acolhido pelo Vaticano em 2008. Um site foi criado para defender a causa do “menino dos milagres”, como é chamado.


O site oficial do padre Donizetti, da pequena Tambaú, no interior, informa que a fase diocesana do processo de beatificação, iniciada em 1992, encerrou-se dia 16 de maio deste ano e enviada para o Vaticano.


Donizetti Tavares de Lima, mineiro de nascimento, mudou-se para a cidade de Franca aos 4 anos e trabalhou 35 anos em Tambaú, onde morreu em 1961. Em 1966, o padre foi declarado “servo de Deus” pelo Vaticano. A cidade, de 22,4 mil habitantes, já cultua o religioso como santo.


Padre Bento


Em Itu, a comunidade católica criou semana anual de mobilização pela beatificação do padre Bento Dias Pacheco. Filho único de uma rica família ituana, ele dedicou a vida aos leprosos.


Quando faleceu, em 1911, teve atendida sua vontade de ser sepultado no cemitério do leprosário.


“A história é de superação dos próprios limites”, diz o padre Francisco Rossi, postulante da causa do padre Bento. O processo de canonização foi aberto em 1985 e, em 2007, foram enviadas 27 pastas de documentos ao Vaticano. A diocese de Jundiaí e a Ordem Carmelita trabalham pela beatificação de outro religioso, o bispo d. Gabriel Paulino Bueno Couto, falecido em 1982. É o processo paulista mais recente: a fase diocesana foi encerrada e 2000. O processo foi enviado à Congregação da Causa dos Santos do Vaticano. Foi o primeiro bispo da diocese e a comunidade de Jundiaí criou um blog  pela canonização.

 

Pedidos

Em Roma, há 79 pedidos de canonização envolvendo brasileiros com atributos para a santidade, segundo a organização católica Santos do Brasil.


O mais antigo é o do beato jesuíta José de Anchieta, iniciado há três séculos, mas ele não é brasileiro de nascimento.


O processo da freira baiana Dulce Lopes Pontes, a irmã Dulce, está entre os mais cotados. Os mineiros trabalham pela beatificação do padre Victor, de Três Pontas, e de Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica. A madre francesa Maria Teodoro Voiron, que viveu e morreu em Itu, está em vias de ser declarada beata.


O Vaticano atribui ao Brasil seis santos, mas desses apenas um é brasileiro de nascimento: santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o frei Galvão. Beatificado em 1998 e canonizado em 2007, é também o primeiro santo paulista, de Guaratinguetá.


Os mártires Roque Gonzales, Afonso Rodrigues e João de Castilho, mortos por índios rebeldes em 1628, no atual Rio Grande do Sul, embora considerados santos do Brasil, são estrangeiros - o primeiro, paraguaio, os outros, espanhóis.


A primeira santa, Paulina do Coração Agonizante, nome religioso da freira Amábile Lúcia Visintainer, canonizada em 2002, viveu no país, mas era austríaca.

 

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