Tribuna do Leitor

UTI: Última Tentativa do Indivíduo!


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Uma tarde, bem à tardinha, Zé Shape passou pela 109 Skate Surf Shop, cumprimentou seus brothers Júnior e Tadeu e desceu a Araújo Leite em seu skate, que até hoje não tem pista, em direção ao Centro, que um dia foi cidade, que um dia teve, além de Brasília Amarela, um ônibus amarelo do Quaggio, que sempre respeitou todo o mundo e, raramente, entrava em greve, mas, dizem, era monopólio, o que é isso, perguntaria um chapa que vive de chapa!

Zé Shape desce a Araúuuuuujo, que já foi zagueiro do Norusca, mas essa em que esse mano desliza em seu skate, ainda sem pista para deslizar, é a Araújo Leite, que já deu leite, passa a Duque, à esquerda, o luxo que virou lixo, o ex-futuro shopping Maksoud Plaza, elefante branco, que nem Orlando Orfei, nem Circo di Roma quereria, a vergonha sem vergonha, o prédio do tédio sem remédio! Seu Hecmet Farah, do Empório Árabe, tem todo dia vergonha de ver aquele concreto, que de concreto, só tem o sonho que virou pensamento medonho! O "Mineirinho" de Bauru, Zé Shape, desliza a Araújo mais um pouco e encontra Aniz Buzalaf, que promete que esse Noroeste , agora, promete e não compromete!

Zé Shape desliza, desvia, alivia, sai de buraco em buraco, nem Alice viu mais fundo, maravilhas, já houve! Ao chegar à Rodrigues Alves, espaço maneiro, sonho de todo e qualquer skatista, ele vai pra lá, pra cá, até o São José parece pasmado com tantas curvas e não são as de nenhuma musa, é de artéria que todo o mundo usa, o suco do Frutal é mais suco de tanto desvio, a Rodrigues virou Cross, qualquer bike faz strike!

Num ousado giro, Zé Shape, em exibição solo, beija o solo pátrio, desacorda-se, cai em frente à Câmara, que já foi biblioteca, era-se feliz e não se sabia, um vereador pergunta de que partido é a vítima, chamou-se o resgate, leva-se o skatista para o hospital, no entanto, o GPS não reconhece o lugar definido, não há hospital, chama-se, clama-se o deputado, que é médico, não há retorno, o celular está desligado, dizem que há quatro anos, esse objeto, que já foi sujeito, não funciona, falta base ao hospital, a Santa Casa não era tão santa assim, o hospital não é tão hospitaleiro, Sucupira adoraria o Base, teria inaugurado seu cemitério bem antes! Após ligações teimosas e perigosas, hospeda-se Zé Shape no corredor do hospital, uma maca com rodinhas, lembrando-lhe seu skate, forma de apascentar a fera. No entanto, com pesar e apesar, ele sai do hospital, desce com a maca pela Monsenhor, desce o mundo até a Praça Machado de Mello, embarca num trem e sem olhar para trás, grita: Adeus! A Deus, Bauru! O último que entrar acenda a luz!

Professor Sinuhe Daniel Preto

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