Acompanhei de perto toda a movimentação durante o protesto que houve na prefeitura. Ouvi as plenárias. Participei da reunião com o prefeito. Vi o diálogo com a PM. E, sim, permaneci durante toda a madrugada junto aos manifestantes. Ao final, eu resumiria tudo o que vi em uma só palavra: sinceridade.
Era nítida a sinceridade na luta dos jovens do movimento Bauru Acordou. Era visível a sinceridade nos argumentos usados pelos estudantes da Unesp. Tal como se podia ver sinceridade na participação dos militantes do MST. Três movimentos unidos. Inegavelmente sinceros em sua intenção. E totalmente pacíficos durante toda a ocupação. Conversei com muitas pessoas durante o protesto. Senti-me representado por suas reivindicações. Identificado com sua comoção. De fato, a luta é justa. E, mais que isso, é urgente! São necessidades sociais óbvias: serviços públicos mais qualificados e menos caros para todos. A luta é justa!
Houve momentos de tensão entre os próprios manifestantes. Mas tudo, quanto à organização, sempre era resolvido rapidamente. E democraticamente, pois toda dúvida era sempre debatida (dando a palavra a todos que a quisessem) e votada entre cada um dos presentes. Sobre a reunião com o prefeito, não deixo de reconhecer a sua disposição para dialogar no meio dos manifestantes. Isso é bom. Mas, como já é de costume, todos mais uma vez ouvimos desculpas burocráticas e ausência de boas ações concretas. Esse discurso cansa muito. E é um dos grandes motivos de tantos protestos populares de crítica aos políticos no Brasil.
Ao final da ocupação, vi todos preocupados com a limpeza da prefeitura. Apenas deixando intencionalmente pelas paredes inúmeros cartazes e faixas com reivindicações diversas: "Passe livre já!", "Transparência nos gastos públicos", "Mais educação!" etc. Enfim, que bom que estes movimentos acontecem. Que bom que nem todo mundo fica apaticamente, em casa, apenas reclamando de tudo. Que bom que esses críticos sociais existem e, além de existir, muitas vezes são sinceros em suas intenções de melhoria social. Por isso, realmente, a luta é justa!
O autor, Wellington Anselmo Martins, é professor, mestrando em Filosofia, graduado em Filosofia, e estudante de jornalismo / am.wellington@hotmail.com