Tribuna do Leitor

Sobre os trilhos da memória


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Esse sucateamento momentâneo de nossa malha ferroviária é o resultado de muitos anos de abandono e descaso, e vem trazendo transtornos principalmente aos moradores que margeiam a via permanente, pois são muitos imóveis abandonados onde outrora eram cheios de vida e movimentos de pessoas, que viviam em função do trem. Funcionários, que moravam ao longo do trecho eram milhares, crianças que cresceram ali pertinho dos trens e a cidade vivia esse clima nostálgico em meios aos apitos das locomotivas. Lembro perfeitamente das residências que existiram ao lado da triagem, eram centenas de casas construídas nos tempos da antiga estrada de ferro paulista, próximo ao Jardim Guadalajara.

Tenho ouvido e lido sobre a retirada dos trilhos, inclusive quero me penitenciar pois por algum tempo pensei também que seria a melhor solução, me arrependi, e hoje lutarei ao lado de pessoas que pensam no futuro da cidade e do país, no sentido da preservação em todos os sentidos do sistema ferroviário na cidade, pois um povo sem memória é um povo sem história. Quiçá com a preservação do traçado da malha ferroviária, também chamada via permanente, no futuro o trem volte a transportar passageiros e cargas, é a única maneira de aliviar o trânsito em nossas estradas.

Quero aqui homenagear os pioneiros do traçado ferroviário na cidade e toda família ferroviária que abrange mais da metade dos bauruenses, pois são os próprios ferroviários, filhos, esposas, netos e bisnetos, enfim, vamos lutar juntos.

José Eduardo Fernandes Avila, memorialista

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