A Justiça egípcia ordenou ontem o congelamento temporário dos bens de 14 lideranças islâmicas do país, incluindo o alto escalão da Irmandade Muçulmana, como o guia espiritual Mohamed Badie e o presidente do braço político da organização - o Partido Liberdade e Justiça -, Saad al-Katatni.
A decisão foi tomada no correr da investigação do Ministério Público sobre os violentos confrontos entre partidários do presidente islamita Mohammed Mursi, deposto no início de julho, e manifestantes da oposição.
Esses embates teriam ocorrido em frente à sede da Guarda Republicana - onde, no dia 8, 51 apoiadores do ex-presidente foram mortos por militares -, na praça da Universidade do Cairo e nas imediações da sede da Irmandade Muçulmana e do palácio presidencial de Itihadiya.
Na última quarta, já havia sido despachada uma ordem de prisão contra Badie por incitação à violência em frente à Guarda Republicana.
Segundo a agência France Presse, Mursi começou a ser interrogado ontem, em um lugar não revelado, sobre as circunstâncias de sua fuga da prisão de Wadi Natrun, no Cairo, no início de 2011, durante a insurreição popular contra o ditador Hosni Mubarak. A suspeita é que Mursi tenha recebido ajuda de grupos estrangeiros para fugir, como o Hizbullah libanês e o Hamas palestino.
Anteontem, ainda segundo a France Presse, o novo procurador-geral egípcio, Hicham Barakat, teria começado a examinar as denúncias apresentadas contra Mursi e líderes islamitas por suposto pacto com setores estrangeiros para prejudicar o interesse nacional, por incitação ao assassinato de manifestantes e por má gestão econômica.
Como resposta ao aumento da tensão no país, os EUA enviaram ontem o sub-secretário de Estado, Bill Burns, para se reunir com as novas autoridades egípcias. Ele deve ficar até amanhã.
O primeiro-ministro interino do Egito, Hazem al-Beblawi, preencheu ontem parte dos cargos do governo de transição, que terá aproximadamente 30 membros.
O Nobel da Paz Mohammed ElBaradei foi empossado ontem como vice-presidente.