Política

Bauru sediará a conferência estadual agrária em agosto

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Produtores rurais do Estado de São Paulo estarão reunidos em Bauru, de 26 a 28 de agosto, para participar da etapa estadual da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. O evento, que terá abertura às 19h no quiosque da FIB, reunirá cerca de 3.500 produtores rurais.

O propósito do encontro, realizado pelo governo federal por meio do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com a prefeitura, é fomentar discussões e apresentar políticas públicas que beneficiem agricultores familiares, assentados da reforma agrária, camponeses, pescadores artesanais, indígenas e produtores de uma forma geral que utilizam o campo como meio de subsistência.

A conferência culminará com a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. A etapa estadual do evento, que acontecerá em Bauru no próximo mês, teve lançamento oficial ontem na FIB com a presença do delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Reinaldo Prates; do prefeito Rodrigo Agostinho, da vice-prefeita Estela Almagro, do secretário de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia; e de representantes de órgãos que atendem o setor na cidade.

O evento definiu os delegados que representarão a cidade entre os 300 eleitos em toda a região e definiu algumas das propostas que serão apresentadas. A conferência nacional será realizada em novembro, em Brasília.

Questões como legislação florestal, agricultura familiar, assistência técnica, igualdade de gênero no campo, estratégias de comercialização e agroindustrialização, políticas para juventude rural, linhas de crédito de fomento à agricultura e os programas governamentais de alimentação escolar foram alguns dos temas elencados na pauta de discussão ontem, que incluiu as deficiências vivenciadas pelo setor atualmente.

“No início da década 90, o governo Collor desmantelou o sistema nacional que dava assistência técnica aos agricultores, no qual tínhamos veterinários, técnicos agrícolas. Dessa divisão restou a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), gerida pelo Estado. O desafio é conquistar a contratação de mais profissionais para o setor para que os pequenos agricultores sejam mais bem orientados”, diz Chico Maia.

Ainda de acordo com ele, é preciso pensar em uma restruturação do sistema público na própria cidade, para que a Sagra consiga agir em conjunto com outras secretarias, orientando os agricultores sobre questões relacionadas à educação, saúde e cultura, por exemplo. “O atendimento rural não deve ser só da agricultura. As políticas públicas devem ser pensadas de forma a incluírem o homem e a mulher do campo”, completa.

A mesma opinião é partilhada pelo delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Reinaldo Prates.

“O objetivo da conferência é construir propostas para uma intervenção planejada dos governos federal, estadual e municipal nas regionalidades. Houve esvaziamento do campo nos últimos anos. Por isso, é preciso pensar em políticas públicas que sejam atrativas e que possam garantir a qualidade de vida da população rural”, frisa Prates, apontando as expectativas do governo federal em ampliar e otimizar os investimentos no campo nos próximos anos.

“A agricultura familiar abastece 60% da alimentação do brasileiro hoje. Diferente da agricultura empresarial, eles moram no campo e possuem demandas diferenciadas, o que requer mais atenção do governo como, por exemplo, em questões de infraestrutura e acessibilidade”, completa Prates, apontando que a agricultura familiar é vista como centro do desenvolvimento agrário.

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