Foi de muita discussão e pouca clareza o balanço da reunião realizada ontem pela comissão especial criada pela Câmara Municipal para discutir a qualidade do transporte coletivo em Bauru. Após duas horas, os vereadores – que também são membros da Comissão de Fiscalização e Controle – decidiram que vão aguardar o envio das pesquisas de opinião que estão sendo feitas pela empresa Oficina Engenheiros Consultores Associados.
O trabalho faz parte do serviço contratado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) que deve propor a remodelagem do sistema de transporte coletivo.
Representantes da Oficina participaram da reunião de ontem, mas o voo que os trazia de São Paulo não conseguiu pousar no aeroporto Moussa Tobias em razão da neblina que tomou a cidade durante a manhã de terça-feira.
Na quinta-feira da semana passada, eles também não conseguiram chegar a Bauru em razão dos protestos do Dia Nacional de Lutas, chamado pelas centrais sindicais.
No entanto, estiveram presentes o presidente da Emdurb Nico Mondelli e alguns de seus técnicos que tentaram esclarecer dúvidas dos vereadores. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) foi à Câmara Municipal no início da manhã, mas não acompanhou os trabalhos da comissão especial.
Todos devem estar presentes na reunião pública agendada para as 18h de hoje, a pedido dos manifestantes do grupo “Bauru Acordou”, que exigem a revogação imediata do aumento da tarifa do transporte, vigente desde o mês de maio.
Avaliação
Presidente do grupo, Roque Ferreira (PT) acredita que, em função do objeto da comissão, não há muito que fazer. “Vamos aguardar o resultado da pesquisa que está sendo feita pela empresa de consultoria”.
O petista, na verdade, defende a instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a composição do valor da tarifa e o cumprimento dos contratos das concessionárias junto à Emdurb. Ontem, ele elencou alguns argumentos nesse sentido.
Já Lima Júnior (PSDB) acredita que, a partir da pesquisa, será possível pontuar qual o modelo de transporte coletivo que o município deseja. “Vamos dizer o que queremos, colocar nos editais de licitação e as empresas vão ter que prestar o serviço contratado”.
Telma Gobbi (PMDB) – que estreou nesta terça-feira na comissão, após a renúncia de Moisés Rossi (PPS) – enfatizou a importância de que respostas sejam dadas ao clamor das ruas. “O que dá para fazer de imediato, terá que ser feito. Quanto ao resto, o poder público precisa se acostumar a definir metas e cumprir prazos”.
O tucano e a peemedebista se comprometeram a conversar com os representantes da Oficina da tarde de ontem. Lima descarta que o grupo conclua os trabalhos no prazo prometido de 30 dias, que vence no final deste mês.
Qualidade x preço
Durante a reunião, Nico Mondelli mostrou otimismo em relação às mudanças no transporte coletivo, que devem ser apontadas pelo estudo de remodelagem.
O presidente da Emdurb, porém, foi confrontado por parte dos vereadores, que questionaram quanto as mudanças vão impactar na tarifa.
“É preciso definir o transporte que querermos, mas também o valor que a população está disposta e vai aguentar pagar”, frisou Lima Júnior (PSDB). Mondelli admitiu que, certamente, eventual melhora na qualidade do sistema vai impactar o custo da operação, mas disse estar confiante na aprovação de projeto de lei pelo Congresso Nacional para desonerar o transporte coletivo, isentando, por exemplo, impostos sobre o combustível.