Horas depois dos atos de vandalismo que deixaram um rastro de depredação em Ipanema e no Leblon, na zona sul do Rio, o comandante do Estado Maior da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto, afirmou ontem que o acerto com as entidades de direitos humanos não foi suficiente para impedir os casos de depredação ocorridos anteontem na zona sul.
“Vamos fazer uma reavaliação. O que foi acordado não está de acordo com a boa prática policial. Havia o entendimento da sociedade organizada que a dispersão (com gás lacrimogênio) provocava essas depredações. Ontem (anteontem) ficou provado que é necessária a dispersão”, disse.
Preocupada com a ameaça de protestos durante a vinda do papa Francisco na próxima semana, a corporação atribuiu parte do caos ocorrido na madrugada no Leblon e em Ipanema ao acordo de redução de uso de armas não letais negociado com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Anistia Internacional, em reuniões ao longo da semana.
O presidente da OAB-RJ, Felipe Santacruz, afirmou que a PM “não tem como transferir a falta de preparo”. “O comandante da PM convidou a OAB a colocar advogados no cordão de isolamento entre policiais e manifestantes. Acho que não é o papel de advogados voluntários. Reconhecemos que não está sendo fácil para ninguém, é uma manifestação de caráter híbrido. A ausência da polícia nos preocupa. O que queremos é a detenção dos que estão praticando atitudes fascistas”, disse ele.
O secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, afirmou que a Polícia Militar está estudando a cada manifestação a melhor maneira de atuar. Segundo Beltrame, os casos de vandalismo são provocados por “turbas” que, “por vezes, colocam a polícia entre a prevaricação e o abuso de autoridade”.