João Rosan |
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No Ciesp, José Serra encontrou-se com o deputado estadual Pedro Tobias |
Em passagem relâmpago pela cidade, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) ministrou palestra na sede regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), na noite de ontem. O tucano, porém, evitou comentar seu futuro político e supostos planos de lançamento de mais uma candidatura à Presidência da República.
No cenário atual, Serra teria que trocar de partido político para viabilizar seu plano, pois o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) já se apresenta como presidenciável para o pleito de 2014.
Antes mesmo de chegar ao Ciesp, Serra mandou o recado de que não responderia perguntas sobre política partidária. Os questionamentos, porém, foram inevitáveis. “Se vou ser candidato, vamos ver no ano que vem. Essa é uma questão dos jornais. Não é a minha”, disse.
Em um momento, no entanto, pontuou rapidamente que existe muita especulação e que não sairá do PSDB. O tucano afirmou ainda que a antecipação do processo eleitoral é um equívoco e um erro grave no Brasil. “O País está vivendo uma situação séria. Ninguém, na população, está preocupado com a eleição”.
Segundo Serra, o PT é responsável pelo cenário, mas com parcela de culpa dos partidos contrários ao comando do governo federal. “A [presidente] Dilma passou os dois primeiros anos perplexa com a herança que recebeu do governo Lula e, agora, está fazendo campanha. A oposição também entrou nessa de já querer definir tudo”.
Fica ou sai?
José Serra estava sendo cotado como possível candidato à Presidência da República pelo já naufragado MD, que seria um novo partido político resultado da fusão entre PPS e PMN. O anúncio da sigla gerou alvoroço no meio, mas a segunda legenda já comunicou a desistência do processo.
Com a queda da popularidade e da intenção de votos em Dilma Rousseff (PT), cresceram os rumores de que Serra poderia se filiar ao PSD de seu fiel escudeiro Gilberto Kassab. O ex-governador, porém, negou ter conversado com o partido.
Caso queira se candidatar por outra legenda, ele precisa sair do PSDB até o final de setembro deste ano, de acordo com a legislação eleitoral.
No ninho tucano, um grupo defende que José Serra concorra ao Senado Federal. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) esteve ontem no Ciesp e defende que, em caso da existência de mais de um candidato à Presidência, o partido opte pela realização de prévias.
Questionado sobre a possibilidade de desfiliação do cacique tucano, Tobias respondeu que essa era uma questão a ser definida pelo próprio Serra. “Já acabou o tempo em que dois ou três iluminados decidiam tudo. A base não existe só para pedir votos. Tem que palpitar também”.
Movimentos
Questionado sobre as recentes mobilizações populares, que tomaram as ruas de todo o País, José Serra (PSDB) preferiu fazer uma crítica à União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade presidida por ele na década de 1960. Ele afirma que, atualmente, ela está “a reboque do governo”, diferentemente do passado, quando não existiam vínculos partidários a esses tipos de movimento.
Tucano aponta ‘final de ciclo’
Para uma plateia de 110 pessoas, José Serra falou sobre “O desenvolvimento brasileiro e seus principais problemas”. A palestra foi recheada de críticas ao governo federal. Para o tucano, o País vive o final de um ciclo, que implica no crescimento lento da econômica, aumento da inflação e desaceleração no consumo.
“O que mais me preocupa não é isso, e sim a falta de uma política que possa reverter esse processo. Não temos uma política econômica coerente. Faltam investimentos em infraestrutura: estradas, energia. Estão criando problemas para o futuro Está faltando liderança e sobrando desperdício, talentos e recursos”, pontuou.
O ex-governador criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Inventaram que liberação de crédito é investimento. Não aconteceu nada”.
A proposta de Serra é analisar as características do suposto fim do ciclo e discutir alternativas. “Precisamos fazer a máquina funcionar com investimentos necessários”.
O tucano debochou do projeto do trem-bala, que tem custo avaliado em R$ 60 milhões, para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. “É uma aberração. Em vez de gastar dinheiro com fantasia, levando nada ao lugar nenhum, deveria investir no transporte urbano das capitais. Não há nem demanda por passageiro”.
Serra abordou ainda uma série de obras que não decolaram no País, como a transposição do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina e a construção de refinarias.
O “custo Brasil” também foi alvo do ex-governador. “Nós produzimos celulose, vendemos para China, que produz livros e vende para a gente, porque sai mais barato”.
A palestra de ontem foi organizada pelo Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE), um grupo do Ciesp-Bauru, coordenador por Victor Villas Casaca, Robinson Campanhã e Douglas Crespo.
