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Reflexões

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 4 min

Parabenizo, antecipadamente, o elucidativo artigo publicado pelo médico Aguinaldo Nardi, presidente bauruense da Associação Brasileira de Urologia, neste conceituado Jornal (o melhor do "nosso" mundo), mas que poderia ser estendido para todos ao matutinos do País, mostrando como funcionam os dois mundos em que vivem os brasileiros. Este mesmo profissional, junto a uma competente equipe, elaborou a publicação Urologista Cidadão. Numa conversa com o autor, este revelou-me a dificuldade que encontra para divulgar essa publicação junto aos poderes públicos, que seria uma cartilha orientadora sobre educação sexual para os jovens.

A mesma ótica do seu artigo, pode ser aplicada aos estudantes de odontologia. O mapa de distribuição dos nossos profissionais, publicada recentemente pelo Conselho Federal de Odontologia, mostra a grande concentração de especialistas nas regiões Sudeste e Sul. O Brasil não é somente composto por essas duas regiões. Essa concentração é explicada pelas oportunidades e condições de trabalho que os profissionais encontram. A disciplina que ensino no último ano do curso de odontologia traz uma angústia dos futuros profissionais, questionando-os sobre qual a especialidade e qual cidade poderiam iniciar suas atividades. Minha resposta é: o circo (leia-se aqui, o consultório) quando levanta sua lona (leia-se, muda de cidade) a plateia (leia-se, pacientes) fica. Podem haver grandes compensações financeiras, aumento de patrimônio em cidades pequenas, mas você perde os filhos e as oportunidades (cursos de atualização, facilidade de compras de materiais específicos, manutenção rápida de seus equipamentos, assistências médicas, hospitalares, estudos diferenciados para seus filhos) para os centros maiores.

Há poucos anos, o professor José Eduardo de O. Lima, docente da FOB-USP, publicou um trabalho excelente, mostrando a eficiência na redução de cári em crianças que recebiam mensalmente uma profilaxia realizada por um aparelho que, semelhante a uma máquina lava-jato, usa água, bicarbonato e ar comprimido. Pode ser operado, simultaneamente, até por vários profissionais higienistas dentários, sob a supervisão de um dentista. Qual a repercussão para as prefeituras e SUS desse trabalho, cientificamente comprovado? Como pode então o SUS se equipar para casos mais complexos?

A nossa FOB-USP tem agora a preocupação de formar profissionais padrão SUS. Esse padrão SUS é o padrão "Fifa", tão propalado nos dias de hoje nas manifestações? Estamos praticamente a um ano das eleições, mas se hoje fossem convocadas eleições para todos os cargos, de presidente à vereadores, você saberia em quem votar? Quais seriam os candidatos que se apresentariam para representá-lo?

Logicamente, teríamos muitos oportunistas, como estamos vendo diariamente, querendo a liderança desse movimento que surgiu nas ruas. Precisamos lembrar do passado para construirmos o futuro. Por exemplo, quando surgiu o Imposto Provisório sobre Veículos Automotivos (IPVA) tivemos a suspensão dos pedágios. Anos depois, ardilosamente, a palavra provisório foi substituída por propriedade e voltamos a ter pedágios. Por que há migração de IPVA de São Paulo para o Paraná? A resposta é a que todos sabemos: o mesmo carro no Paraná paga valor menor. Estradas do Paraná também cobram pedágio, mas não tanto quanto em São Paulo. Por que o valor do IPVA é calculado sobre uma tabela em que ninguém consegue negociar aquele valor ali exposto? Por que pagamos um litro de gasolina se recebemos ¾ de gasolina e ¼ de álcool? Por que essa gasolina é vendida a preços menores para a Argentina e temos que pagar tão mais caro?

Com o valor de impostos declarado nas notas fiscais, fica mais fácil entender o quanto pagamos e, fazendo contas simples, o quanto retorna ao público em benefícios. Cada vez se torna mais clara a experiência vivida na Alemanha e exposta nas homilias, pelo ex-padre Beto, quando afirmava que lá não tinha ensino gratuito, pela concepção daquele povo, pois pagavam impostos que retornavam ao ensino do maternal à faculdade, ao sistema de saúde e aos transportes de qualidade indiscutíveis.

Aqui, tudo isso se paga em dobro e, mesmo assim, com sub-qualidade, na maioria das vezes. Que tal repensarmos em ensinar os jovens nas escolas e vivenciar em casa os conceitos de civismo e solidariedade, já que podem votar a partir dos 16 anos e ajudar no que realmente querem para seu futuro? Temos pouco mais de um ano para analisar e votar nos nossos verdadeiros "representantes" e não mais naqueles que só fazem carreira política para benefício próprio ou da família. Fiquemos atentos para não repetirmos os erros passados.

O autor, Arnaldo Pinzan, é professor universitário e membro do Lions Clube de Bauru Centro

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