João Rosan |
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Lúcia e Luiza Stradiotti: amizade e amor desde a infância |
Ainda há controvérsias sobre o verdadeiro Dia do Amigo. Muitas pesquisas apontam que a data de comemorar o dia do “fiel escudeiro” é hoje, 20 de julho. De acordo com especialistas, mais do que companheiros, os laços formados nas amizades são verdadeiros antídotos para patologias como o estresse e a depressão.
É o que afirma a psicóloga e terapeuta cognitiva Mauricéia Quinhoneiro. A amizade é uma das referências e incentivos para a saúde emocional, pela sua capacidade de estabelecer laços afetivos e mantê-los.
“Esses são alguns dos indicativos que temos para avaliação da saúde emocional da pessoa. Para alguns, a habilidade de fazer amigos e formar esses laços é muito natural, elas foram estimuladas para serem mais sociáveis. Para outros é um pouco mais difícil, mas não impossível. Ela precisa ter motivação para isso”, explica Mauricéia.
A socialização de uma forma mais intensa, estreitando laços e criando vínculos afetivos, é o start para a formação de novas amizades. Em suas avaliações, para entender como é a dinâmica de vida da pessoa, a pergunta que faz a diferença para a psicóloga é “Você tem algum amigo que você possa contar, em um raio de 100 quilômetros? Aquela pessoa que você pode contar se você estiver em uma situação vulnerável?”.
Patologias
“Eu percebo que, quando há esse amigo, isso é um diferencial muito grande. Quando não há, precisamos conquistar. Existem muitas pesquisas que falam sobre ter um grupo de amigos e o efeito disso sobre o estresse. Esse efeito muitas vezes equivale a uma atividade física”.
Quando a pessoa apresenta sintomas de depressão, a sua melhora também é muito influenciada quando existe ali um grupo de amigos, conforme aponta Mauricéia. “O amigo de verdade sempre terá uma palavra positiva. Tenta levantar a pessoa. Isso é muito importante. Normalmente, no evento da depressão, quando ela consegue se motivar, a melhora começa a aparecer. O amigo é a alavanca, uma ponte muito significativa”.
Em diversas fases da vida, principalmente diante da “síndrome do ninho vazio” (quando os filhos seguem seus próprios caminhos) ou até mesmo acontece uma separação do casal, as amizades são fundamentais. “Independente de qualquer situação, é importante sempre ter um amigo, alguém em quem confiar, criar grupos sociais”, finalizou.
Redes sociais
Hoje as redes sociais também são uma ponte para formar novos amigos. Afinal, elas ajudam ou atrapalham? A psicóloga e terapeuta cognitiva Mauricéia Quinhoneiro alerta para o uso das redes sociais com moderação. “As redes sociais aumentam o número de vínculos fracos que podem se transformar em grandes amizades. Mas não pode ficar só no virtual”, alerta.
Mais do que laços de sangue
A capacidade de formar laços de amizade fica a critério de cada um, basta ter a iniciativa. Muitos preferem procurar o amigo em pessoas de um convívio social em comum. Mas para outros, membros da própria família mostram que, mais do que laços de sangue, eles também são capazes de terem um forte laço de amizade por toda a vida.
As irmãs Luiza Stradiotti, 25 anos, e Lúcia Stradiotti, 28 anos, são mais do que uma genética compatível. Elas são amigas praticamente inseparáveis. O laço se fortaleceu com tanta intensidade que elas abriram uma empresa e trabalham juntas no ramo de imóveis.
“Sempre fomos muito próximas. Desde que passamos a entender o que era amizade, nos tornamos melhores amigas”, contou Luiza. “Eu tinha medo do escuro, mas ter a Luiza no mesmo quarto me ajudava. Como era a mais velha, comecei a sair e fazer amigos, e sempre levava ela comigo. Era meu porto seguro”, completou Lúcia.
Momentos como as diversas mudanças de cidade, por conta do emprego dos pais, marcaram a vida das irmãs. O sentimento de perda de muitos amigos foi confortado pelo ‘ombro irmão’. “Na adolescência, o emprego do nosso pai nos obrigou a ter que mudar de cidade várias vezes, o que foi muito difícil, por termos sempre que mudar de escola, vizinhança, amigos. Mas uma ter a outra sempre por perto facilitou tudo”, apontou Luiza.
As irmãs cresceram e as separações começaram a aparecer novamente em suas vidas. Faculdade e intercâmbio não foram suficientes para quebrar o laço afetivo nem de distanciá-las.
