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Moto era emprestada; condutor estaria cansado |
Apaixonado por motocicleta. Foi assim que o avô do ajudante de motorista Cleber Henrique Rosa, 21 anos, o descreveu. Por uma triste ironia do destino, foi exatamente sobre duas rodas que o jovem encerrou, de forma bastante precoce, sua vida.
Ao todo, Bauru já registrou neste ano 35 mortes no trânsito, em ruas e avenidas e no perímetro urbano de rodovias (leia mais na página 11).
O acidente ocorreu por volta da 1h30 da madrugada de ontem, na rua Natal Fornazari. Cleber conduzia uma Honda CB 600 Hornet quando, na quadra 1 da via, perdeu o controle da motocicleta e se chocou contra o poste.
“Ele havia trabalhado o dia inteiro. De noite, tinha ido até a casa de um amigo, no Tangarás, e estava voltando para casa. Ele morava comigo no Jardim Redentor”, conta Silvio Rosa, 62 anos, avô da vítima.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Porém, não houve sequer tempo para o socorro. Com a forte colisão, o jovem, que estava sozinho no momento do acidente, já estava morto quando a viatura chegou.
Segundo o BO, Cleber Rosa era habilitado para conduzir motocicletas. A Polícia Científica foi acionada e realizou a perícia no local do acidente.
No velório, amigos e familiares deram o último adeus ao jovem. O clima era de tristeza e incredulidade. “A moto nem era dele. Ele tinha emprestado de um amigo. Não dá para acreditar que isso aconteceu”, lamentava o avô.
O empréstimo do veículo não foi visto com estranheza. Silvio Rosa relembra que uma das grandes paixões do neto eram motocicletas. “Ele gostava muito de moto. Era uma grande paixão dele. Amava moto e carros”.
Como o jovem havia trabalhado o dia inteiro, inclusive com viagens para cidades próximas, o avô acredita que a tragédia possa ter sido motivada por cansaço. “Não dá para saber o que aconteceu. Pode ter sido sono mesmo”, complementa.
O corpo de Cleber foi velado ontem no Centro Velatório Terra Branca, na rua Gerson França, 5-55. O jovem será sepultado hoje, às 9h30, no Cemitério do Redentor.
Perigo em 2 rodas
Cleber Henrique Rosa engrossa uma triste estatística. De acordo com levantamento extraoficial do JC, ele é a 31ª vítima fatal do trânsito bauruense este ano. Os números abrangem tanto as mortes ocorridas no trânsito urbano quanto nas rodovias que cortam a cidade.
A morte do jovem, porém, reafirma outra realidade mais do que preocupante: o perigo dos acidentes envolvendo motociclistas. Eles são a grande maioria das vítimas fatais no trânsito.
Os números oficiais do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI) apontam que, em 2013, foram 13 vítimas fatais na cidade. Tal estatística é menor, pois desconsidera os óbitos registrados em rodovias.
Dessas 13 mortes, motocicletas estiveram envolvidas em nove delas, o que representa expressivos 70%. O perfil das vítimas fatais também tem uma prevalência. Em mais da metade, a faixa etária está compreendida entre 18 e 30 anos.
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Renan Casal/Reprodução |
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Cleber Henrique Rosa, 21 anos, perdeu o controle na rua Natal Fornazari |
Jovem sonhava terminar curso de administração
Independente das circunstâncias envolvidas, perder um familiar ou um amigo em acidente de trânsito representa grande choque. Ontem, a morte totalmente inesperada fez todos se questionarem como alguém que transbordava de alegria com a conquista de seu time de coração e, um dia depois, não estava mais vivo.
“Ele era muito corintiano. Deitou e rolou na quarta-feira. Estava muito feliz com o título”, disse o avô de Cleber, Silvio Rosa, referindo-se à conquista da Recopa Sul-Americana pelo Corinthians.
O jovem, que trabalhava como ajudante de motorista, havia cursado um ano de graduação em administração de empresas. Porém, precisou trancar o curso. A meta era, em breve, retomá-lo. “Ele queria se formar. Era uma vontade dele”, relata.
Cleber Henrique Rosa morava com seu avô desde que nasceu. Ele não tinha filhos. “Ele tinha uma irmãzinha, de 10 anos, por parte de mãe. Era um menino muito carinhoso e querido. Não tinha vícios e nem nada. Não tem o que falar dele”, disse Silvio, emocionado.
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