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Nos últimos dois anos, a dengue deixou de ser uma “patologia utópica” em Bauru, que parecia estar distante da nossa realidade, e superou altos recordes, totalizando apenas neste ano 6.888 casos, com dois óbitos (leia mais ao lado). No entanto, conforme já esperado pelas autoridades, desde o mês de abril - com a chegada do outono e inverno, baixas temperaturas e pouca chuva -, o número de infectados começou a diminuir bruscamente.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até anteontem, o mês de julho havia contabilizado apenas seis casos da doença.
A dengue amedrontou o município com a rapidez com que foi se alastrando. Em apenas quatro meses e meio, a cidade teve 4.399 pessoas infectadas e superou o recorde recorde histórico da doença, registrado em 2011 com 4.354 casos confirmados.
Para a tranquilidade da população e das autoridades, os números do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) começaram altos, mas formaram uma curva decrescente nos últimos meses.
O ano começou com 398 casos em janeiro, saltou para 1.051 infectados no mês de fevereiro, e “explodiu” com 2.255 novas confirmações em março. Em abril, essa curva acentuada começou a dar sinais de queda, com o registro de 2.187 pessoas infectadas no mês. Em maio foram apenas 813 casos, contra 61 em junho e seis em julho (até o fechamento desta edição).
Número de casos
Para contabilizar o número de casos da doença e conseguir traçar um mapa da dengue no município, principalmente quando o volume de confirmações é recorde, como aconteceu neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde faz uma contagem diferente.
Muitas vezes durante os últimos meses, o JC noticiou a confirmação de vários novos casos juntos. Isso aconteceu por dois motivos, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.
“Primeiro, a demanda em todo o País foi muito grande. Muitas cidades sofreram a epidemia de dengue como, por exemplo, Araçatuba, Rio Preto. Segundo, acabaram os reagentes de todo o País por conta dessa demanda. Então, os resultados começaram a sair com certo atraso e acumulados. Por isso dava a impressão de que os números estavam crescendo muito”, explicou.
Porém, a cada dia, esses números podem ser novos. Isso porque o fator clínico-epidemiológico também é considerado para constatar um novo caso de dengue, conforme informado pela a assessoria de comunicação da prefeitura.
Por exemplo, em uma mesma unidade de saúde, duas pessoas chegam com sintomas da doença. Nos seus respectivos prontuários médicos, constarão que se tratam de infectados suspeitos. Neste caso, os médicos orientam que esses pacientes retornem no quinto dia dos sintomas para realizar exame clínico, através de coleta de sangue.
Este é encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz, que emite um laudo positivo ou negativo para a doença. Se um desses pacientes não realizar o exame de sangue, posteriormente poderá fazer parte do número de infectados do município levando-se em consideração o critério clínico-epidemiológico, ou seja, os sintomas avaliados pelo médico.
Mortes
Só neste ano, Bauru contabilizou duas mortes por dengue. O primeiro óbito aconteceu no mês de março. O aposentado Ijailton Antunes de Mattos, de 77 anos, morador do Núcleo Gasparini, morreu após ficado internado no Hospital Estadual de Bauru (HEB). O médico atestou “choque não esclarecido e dengue”.
Quase um mês depois, Belina Gameiro, 41 anos, também moradora do Núcleo Gasparini, morreu depois de contrair a doença. A família chegou a levantar a hipótese de dengue hemorrágica, já que, aparentemente, a vítima não possuía nenhuma outra patologia que justificasse o agravamento da doença.
Apesar de terem sido dois casos de destaque, a suspeita é que ambos morreram por complicações do quadro da doença, conforme explicou na ocasião, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista.
Prefeito apela: ‘Não se desmobilizem’
A queda brusca no número de casos de dengue em Bauru trouxe certa calmaria para o prefeito Rodrigo Agostinho e o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. Apesar do mês ter apenas seis munícipes infectados, o prefeito apela à população: “Não se desmobilizem”.
O prefeito Rodrigo Agostinho demonstra alívio e, ao mesmo tempo, preocupação com a redução dos casos de dengue. Alívio pelo recuo em si da doença e preocupação com a desmobilização no combate ao mosquito aedes aegypti. “Peço a todos os bauruenses que continuem com o nível de alerta e consciência elevados, como vimos nos últimos meses, para que não tenhamos uma recaída”, conclama o prefeito, ressaltando que este inverno está e deve continuar mais úmido do que o normal, o que não é bom em se tratando de proliferação dos vetores da doença.
Para ele, a chegada do frio, as grandes campanhas de limpeza da cidade e a tomada de consciência por parte dos cidadãos ajudaram a reduzir sensivelmente o problema.
Fernando Monti foi cauteloso ao “comemorar” a queda acentuada do número de casos no município. “Uma coisa é muito importante: nós não tivemos interrupção da transmissão. Esse é um fator preocupante do ponto de vista da epidemiologia da doença. Temos temperaturas elevadas, alguma chuva, o que facilita para a reprodução do mosquito. De repente o clima esquenta, cai uma chuva, e a transmissão não parou. Isso pode aumentar um pouco o número de casos”, disse.
Apesar desta possibilidade, Monti, que também é médico infectologista, diz não acreditar que, nos próximos dias deste mês, o número de infectados aumente. “Não acredito que vai ser um grande aumento, mas temos que ficar sempre vigilantes.” Com um número menor de pessoas acometidas pela patologia, os agentes do município conseguem focar mais as visitas na prevenção e na identificação de terrenos baldios e imóveis abandonados.
“Tivemos muitas mudanças na legislação e também queremos juntar o Código Sanitário a estas leis. Com um número menor de casos, os agentes conseguem atuar com mais abrangência na ação preventiva do município. Pedimos que a população continue colaborando conosco, já que 80% dos criadouros encontrados estão dentro das casas”, finalizou.
