Veterano na teledramaturgia, José Mayer está fazendo uma parceria bastante inusitada em "Saramandaia", da Rede Globo. É claro que não estamos falando de seu par romântico em cena, a atriz Lília Cabral, com quem o ator já fez outros trabalhos na televisão. Para que seu personagem coloque formigas pelo nariz quando está nervoso, ele tem de gravar com alguns insetos de verdade, mas parte da ação colocada no ar é digitalizada.
Brincalhão e muito "gente boa", o eterno galã da televisão comemora o novo trabalho e o fato de estar cercado por grandes amigos, como Fernanda Montenegro, Tarcísio Meira e Lília Cabral, com quem havia atuado recentemente na novela "Fina Estampa".
Na pele do fazendeiro poderoso, arretado e produtor de cachaça do folhetim de Ricardo Linhares, Zé Mayer (como é chamado carinhosamente pelos colegas) afirma ser fã da aguardente. Vale destacar que ele é mineiro e de família descendente de escoceses "Eu adoro uma cachacinha, mas não espalhe isso (risos)", diverte-se.
Além de "Saramandaia", o ator adianta que neste ano subirá ao palco para atuar no musical "Kiss me, Kate", de Cole Porter, que contará com a direção de Charles Möeller e Claudio Botelho. No espetáculo, ele enfrentará uma jornada dupla.
Como é voltar às novelas e trabalhar no remake de ?Saramandaia?? Você assistiu a algo da primeira versão da trama?
José Mayer - É maravilhoso poder voltar e fazer uma novela como "Saramandaia". Já fiz alguns remakes de clássicos e sempre prefiro não ver como foi a versão anterior. É uma coisa minha. Todo remake acaba sendo uma criação original e sempre é bom imprimir a minha maneira de ver, a minha marca pessoal no trabalho. Não vale a pena buscar informações do trabalho anteriormente feito. Voei no meu próprio voo. Apesar dos trabalhos já terem sido vividos, sido consagrados na TV, eles podem ser revividos e refeitos de outra forma. Hoje, eu posso garantir que estou reinventando o Zico Rosado e faço isso com muito prazer.
Como você define o seu Zico Rosado?
Mayer - Ele é o verdadeiro dono da cidade (risos). Um coronel da boa estirpe, aquele que é acostumado a mandar, que pode ser corrupto, decadente, amoroso e divertido. Ele tem uma história romântica com a personagem da Lília Cabral (Vitória) que vai render muita história. A novela traz o universo do Dias (Gomes, autor da primeira versão da novela), reinventada, alegre e muito engraçada. Posso assegurar que o Zico é um personagem diferente de tudo o que fiz até hoje.
Por falar nisso, como é voltar a dividir as cenas com Lília Cabral? Sente-se à vontade com ela por terem trabalhado juntos recentemente em ?Fina Estampa??
Mayer - Sou viciado na Lília Cabral. Nossa, é uma honra. Ela é uma grande amiga, parceira de muitos anos e uma atriz que gosto de jogar em cena. E não destacaria em "Saramandaia" somente a Lília. A minha mãe na novela é Fernanda Montenegro e o meu grande inimigo é o Tarcísio (Meira). Isso é um time de primeira, o que podemos chamar de o Barcelona (time de futebol) da teledramaturgia. Eu gosto de contracenar com bons atores e boas atrizes. A história é um barato e a cidade é dividida na guerra dessas duas famílias: a Vilar e a Rosado.
Você gosta de tomar uma boa cachaça?
Mayer - Minha família na novela tem uma fábrica de aguardente. Eu adoro uma cachacinha, mas não espalhe isso (risos). Eu sou mineiro e tenho ascendência escocesa (risos).
Você já apareceu no ar com as formigas em seu nariz. Elas são reais?
Mayer - Eu gravei com as formigas mesmo. Uma parte delas é viva.
Você está acostumado a dar vida a galãs na TV. Zico Rosado foge um pouco desse perfil, certo?
Mayer - Sim, mas ele é bem melhor do que o Pereirinha, de "Fina Estampa", que era um bagaço. As mulheres quase me mataram na rua por ter feito o Pereirinha na TV, com aquele visual. Acho que pior do que eu só o José de Abreu em "Avenida Brasil", como o Nilo (risos). Acho que as pessoas gostam do meu trabalho e, por isso, sempre me chamam, falam comigo nas ruas. E também o meu tempo de galã já passou. Acho que já foi.
Você tem mais trabalhos fechados para 2013?
Mayer - Sim. Tem um musical em que vou fazer um duplo personagem: Fred e Petruchio. É em "Kiss me, Kate", do Cole Porter, que vai ser montado no Brasil. A direção vai ser de Charles Möeller e Claudio Botelho. As canções são deslumbrantes.