Ao menos duas pessoas por mês, em média, são internadas em Bauru com diagnóstico de lúpus. A constatação é da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com base em dados de 2012, quando 34 pessoas foram hospitalizadas por conta da doença autoimune, que não possui causa conhecida, não tem cura, mas pode ser tratada com sucesso.
O lúpus afeta o sistema imunológico do paciente, que passa a produzir anticorpos que atacam e provocam inflamação de células e tecidos saudáveis do corpo, informa a assessoria de imprensa da secretaria. Segundo a reumatologista Lenise Brandão Pieruccetti, a doença está ligada a uma predisposição genética e os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer faixa etária.
“No entanto, é no adulto jovem do sexo feminino, e na idade fértil, entre 25 e 50 anos, que ocorre a maior incidência do diagnóstico. A explicação pode estar no estrogênio, hormônio feminino que funciona como um fator desencadeante”, afirma.
Foi justamente aos 26 anos que a assessora de administração Tatiana Calmon foi diagnosticada com lúpus. Estava na segunda gravidez, sendo que ambas apresentaram complicações por conta da doença. Mas foi uma mancha no nariz que provocou o pedido de exame e, finalmente, a confirmação.
Sintomas
“Como não é uma doença comum, o diagnóstico é mais difícil”, explica, atualmente aos 50 anos. No caso dela, o lúpus provoca calcificações. Pele, rins e o sistema nervoso central são as partes mais afetadas. A alta exposição aos raios ultravioleta torna o indivíduo mais suscetível à doença. O sintoma mais claro é o aparecimento de manchas no rosto, no formato de “asa de borboleta”.
Mas o paciente pode apresentar, também, sensibilidade ao sol, dor articular, queda de cabelo, febre persistente e fraqueza. Nos casos mais graves, chamados de lúpus eritematoso sistêmico, o paciente pode apresentar lesões crônicas que deixam cicatrizes na pele, informa a a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Educação. Em alguns casos, até transplantes são necessários, como apresentou recentemente a novela Amor à Vida com o caso de Paulinha (personagem de Klara Castanho).
Os tratamentos, porém, obtêm resultado. Tatiana, por exemplo, ficou por três anos livre do problema, que deixou inclusive de constar em exames. No entanto, recentemente ela voltou a sentir dores articulares. Normalmente, o tratamento realizado por reumatologistas inclui uso de protetor solar, anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores, mas a conduta varia conforme cada indivíduo.
“Embora ainda sem cura, com a medicação correta a doença pode ser tratada com sucesso”, reitera Lenise. A recomendação é procurar orientação médica caso algum dos sintomas se manifeste.