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Bauru deve ter julho mais frio dos últimos 13 anos

Tisa Moraes com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 9 min

O bauruense surpreendido pela queda nas temperaturas desde a noite de domingo deverá se preparar, porque amanhã o frio promete ser ainda mais intenso. Segundo previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a quarta-feira deverá registrar a menor temperatura em Bauru para meses de julho dos últimos 13 anos.

 

Douglas Reis

Construção de ponte de alvenaria na avenida Rosa Mondelli deve ficar para depois

Logo nas primeiras horas do dia, os termômetros devem chegar a 4 graus, com máxima de 14 graus durante a tarde. Se a previsão for confirmada, amanhã será o dia mais frio de 2013 e o segundo mais gelado dos últimos 13 anos.


Os dados do IPMet apontam que, no período, somente em agosto de 2011 houve registro menor, quando os termômetros da cidade marcaram  3,2 graus. Em julho de 2000, a temperatura chegou a 1,7 grau em Bauru. Assim como ocorreu em agosto de 2011, para amanhã existe a possibilidade de ocorrência de geadas durante a madrugada.


“É um fenômeno que ocorre quando a temperatura chega a 3, 4 graus. Pode ser uma geada fraca ou até não ocorrer, mas há alguma chance”, explica o meteorologista do IPMet, José Carlos Figueiredo.


Caso os ventos estiverem fortes, os bauruenses poderão sentir um frio ainda maior, já que, a cada 7 quilômetros por hora de velocidade do vento, a sensação térmica comparada à temperatura real diminui em um grau.


Chuva fraca


De acordo com o meteorologista, a tempestade que provocou estragos em Bauru e destruiu plantações no Distrito de Tibiriçá, na noite de domingo, não deverá se repetir ao longo desta semana (leia mais na página 5). O temporal acompanhado de granizo foi provocado pelo choque de uma massa de ar frio com a massa de ar quente que havia elevado as temperaturas a até quase 29 graus na semana passada.


“Foi uma massa de ar frio muito forte que, em contraste com a massa de ar muito quente, intensificou os efeitos da frente fria que se formou sobre a nossa região, provocando tempestades com ventos fortes e granizo em diversas áreas, inclusive urbanas”, detalha Figueiredo.


Em Bauru, os bairros mais atingidos pela chuva de granizo de domingo foram os parques das Nações e Vista Alegre, Jardim Bela Vista e vilas Falcão, Independência e Dutra. A chuva, em menor intensidade, deve voltar apenas na próxima quinta-feira, quando as temperaturas devem oscilar entre 9 e 17 graus. Ao longo do dia de hoje, os termômetros devem registrar entre 10 e 21 graus.

 

Cai ponte que liga Bauru a Agudos

A ponte sobre o rio Campo Novo, na Estrada de Quirilândia, foi interditada ontem e ficará intransitável por no mínimo 15 dias. Segundo a Secretaria de Obras de Bauru, a chuva forte que caiu no último domingo causou o solapamento do terreno na cabeceira, provocando a instabilidade e o desabamento da ponte que liga Bauru a Agudos.


A recuperação do trecho e a reconstrução da ponte de madeira ocorrerão em parceria com a Prefeitura de Agudos, que irá ceder o maquinário, e a Prefeitura de Bauru fornecerá a mão de obra e o material.

‘Cobre aqui, descobre ali’

Para que a obra emergencial da rua Benevenuto Tiritan saia do papel, a Secretaria Municipal de Obras deverá despender esforços não somente para conseguir comprar o material, mas para a viabilizar o efetivo necessário, que deverá ser desviado de outras obras já previstas para este ano na cidade. É o caso da implantação de dutos e a construção de uma ponte de alvenaria ao final da avenida Rosa Malandrino Mondelli, na região do Jardim Chapadão.


O início da obra está previsto para setembro, mas se a prefeitura liberar recursos para a realização da obra considerada emergencial, o trabalho no Chapadão poderá ser suspenso.


“Apesar de também ser prioridade, a obra do Jardim Chapadão teria que ser suspensa”, adianta o secretário sobre a mão de obra, acrescentando que as duas construções possuem a mesma finalidade: implantação de dutos maiores para conceder maior vazão a córregos. Em média, esse serviço costuma levar de um a dois meses para ser concluído.


Má notícia para o pedreiro Joaquim Silva Neto, 48 anos, que utiliza diariamente a ponte de madeira ao final da Rosa Malandrino Mondelli para chegar ao serviço.


“Faz dois anos que essas peças de concreto estão esperando aqui ao relento para serem colocadas. O asfalto aqui está dependendo de uma ponte nova. A margem do rio está desbarrancando aos poucos, aqui também deveria ser prioridade. Não dá para cobrir aqui, descobrindo ali”, lamenta o pedreiro.

Chuva desencadeia obra emergencial na rua Benevenuto Tiritan, diz Obras

Apontada como via problemática em dias de chuva, a rua Benevenuto Tiritan deve ganhar nova ‘cara’ dentro dos próximos meses. É o que afirma o secretário de Obras Sidnei Rodrigues, que aponta que um estudo de engenharia sobre o trecho, já em andamento, deve direcionar as obras emergenciais para contenção dos alagamentos em dias de chuva na área. Mais conhecida como rua Guatemala, a via liga a região da Vila Independência e Terra Branca à avenida Comendador José da Silva Martha e à zona sul.


Conforme o JC divulgou na edição de ontem, uma mulher ficou ilhada dentro de um carro na noite do último domingo e precisou ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros, após o córrego Água da Forquilha transbordar e encobrir a rua de água.


Segundo moradores e pedestres que utilizam a Benevenuto Tiritan como acesso entre as duas regiões, o fato seria corriqueiro em dias de chuva. “Há seis anos, a mesma cena se repete. É só chover um pouco mais para a rua virar um rio e a rotatória da Comendador alagar. O pessoal fica ilhado e os que tentam passar acabam presos”, critica o frentista Zeferino Mendes, 59 anos.



Prioridade


Funcionários da prefeitura trabalhavam no local, na manhã de ontem, para retirar a lama que restou no trecho depois do episódio e liberar o trânsito por completo no local. Além disso, eles também atuavam no desentupimento dos três dutos de cerca de 1,5 metro, existentes sob a pista, que dão vazão ao córrego Água da Forquilha.


Questionado sobre a situação, o secretário Sidnei Rodrigues informou que a recuperação do trecho será encarada pela secretaria como uma obra emergencial.


“É uma obra prioritária, por ser uma rua de grande fluxo e importância para quem corta os bairros. Não podemos deixar para depois por conta das chuvas do final de ano e do início do ano que vem. Podemos ter problemas sérios”, ressalta.


De acordo com ele, além do despejo irregular do lixo pela população, que entope os dutos do córrego sob a pista, a situação também seria causada pelo aumento populacional da região, que tornou a passagem estreita em relação ao volume de água que acumula no local.


“Teremos que aumentar os dutos para dar vazão. Já pedi os cálculos para os engenheiros da secretaria. Após o estudo, teremos que comprar o material. Como essa obra não foi prevista no orçamento para este ano, vamos tentar viabilizar a verba junto ao caixa da prefeitura. Se não der, vamos recorrer ao governo estadual ou federal”, observa o secretário, prevendo a realização da obra para o final deste ano.


Em uma análise preliminar, Sidnei apontou ainda que os dutos em questão deveriam ter ao menos meio metro a mais, ou então serem substituídos por uma única peça de concreto maior que suporte a vazão. Somente de materiais, o secretário calcula que a obra no local não deve sair por menos de R$ 400 mil.

Quioshi Goto

O cafeicultor Benedito Antonio Vantin perdeu 25% da plantação

Granizo arrasa com 40% da produção de Tibiriçá

Ao menos 40% da produção de hortifruticultura do distrito de Tibiriçá foi arrasada pela chuva de granizo que atingiu a região de Bauru na noite do último domingo. Ainda ontem, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sagra) realizava o levantamento dos prejuízos junto aos produtores, muitos deles fornecedores de mercadorias para estabelecimentos de Bauru.


Segundo o titular da Sagra, Chico Maia, os maiores lesados foram os produtores de hortaliças que não utilizam sistema de estufas em seus cultivos. “Muitos deles perderam 100% da produção e terão de recomeçar do zero”, pondera.


Ainda não há cálculos sobre o prejuízo financeiro provocado pela chuva de granizo, que foi acompanhada de ventos fortes, mas Maia salienta que o impacto sobre a economia do distrito, que é eminentemente rural, foi grande. E, como boa parte das hortaliças produzidas é destinada a supermercados, feiras livres e à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru, o consumidor da cidade também deverá sentir os reflexos das perdas.


“Além da queda na qualidade do produto, há tendência de aumento de preço nas próximas semanas”, adianta. Engenheiro agrícola da Sagra, Otaviano Alves Pereira destaca que os agricultores que utilizam estufas não sofreram prejuízos.


As hortaliças cultivadas sem proteção, mais sensíveis, foram as principais atingidas. Mas as plantações frutíferas e pastagens também sofreram danos. O cafeicultor Benedito Antonio Vantin, 56 anos, por exemplo, perdeu 25% de sua plantação por conta do impacto provocado pela chuva de granizo, que derrubou parte dos frutos no chão.



Seguro


Ao todo, o cafezal ocupa uma área de um alqueire e meio e soma cerca de 12 mil pés. Por sorte, a colheita já havia sido feita em 75% deles. Vantin diz não saber estimar, ainda, o valor do prejuízo, mas, como o granizo também derrubou folhas e galhos, a expectativa é de que a safra de 2014 seja cerca de 30% menor.


“Os pés de café demoram a se recuperar e a produção, certamente, vai ser abaixo do normal. Então, o prejuízo não é só agora, mas vai refletir também no ano que vem”, explica. O impacto sobre a plantação foi tão forte que as marcas das pedras de gelo ficaram estampadas sobre o caule dos pés de café.


Para Maia, titular da Sagra, a única solução para os produtores evitarem prejuízos é contratar seguro agrícola, que “não é caro e está incluído dentro do Plano Safra”.  Segundo o engenheiro agrícola da pasta, Otaviano Pereira, trata-se de uma garantia que a maioria deles não possui.


“É a única medida que pode resguardá-los de alguma maneira. Estamos negociando junto ao Banco do Brasil uma proposta de lançamento de seguro para estes produtores para a safra de 2013/2014”, frisa Pereira.

 

Equipes de limpeza têm trabalho

A praça central do distrito de Tibiriçá amanheceu, ontem, completamente coberta de folhas que foram derrubadas das árvores pela força dos ventos e da chuva de granizo que atingiu a região de Bauru na noite de domingo. Segundo cálculos da Defesa Civil, o ‘tapete’ que se formou sobre a área chegou a sete centímetros de altura. Todo o material orgânico foi recolhido por equipes de limpeza ainda na manhã de ontem.

Centro rural também é atingido

No Centro de Desenvolvimento Rural do Distrito de Tibiriçá, os danos provocados pela chuva de granizo também foram notáveis. Na área de plantio experimental, a chuva e as pedras de gelo estragaram quase que completamente a horta e o pomar, incluindo os pés de pêssego, abobrinha, uva, couve-flor, brócolis, mamão, morango, couve, alface, beterraba, cenoura, salsa, feijão, banana, mandioca, goiaba e maracujá.


Parte do sombrite e dos tubos da estufa da hidroponia também foram destruídos devido ao peso das pedras de gelo e à força dos ventos. Segundo o titular da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia, os estragos ainda não foram contabilizados, mas ele já adiantou que a estufa terá de ser reconstruída e o plantio recomeçado praticamente do zero.

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