Esportes

São Paulo: A cara da crise


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Acostumado a dominar os bastidores do São Paulo com mão de ferro, o presidente Juvenal Juvêncio experimenta a sensação de ser contestado dentro do clube. Mesmo entre os aliados, a sensação é de que o dirigente está perdido em meio ao barril de pólvora que o clube se transformou, com a pior sequência de derrotas de sua história, e não sabe o que fazer. Quem o acompanha rotineiramente identifica sinais de desgaste e pressão que, hoje em dia, são bem mais sentidos do que no passado.


“O Juvenal está nas cordas. Nunca o vi assim antes”, resumiu um dos diretores que convivem diariamente com o presidente. Para ele, as imagens vazadas do dirigente discutindo asperamente e xingando alguns torcedores no churrasco do último domingo, marcado pelo entrevero entre situação e oposição, o deixou em situação delicada e ajudou a passar a impressão de falta de rumo. “Há alguns anos isso não teria acontecido porque ele saberia como agir e que peças mover”, diz o mesmo cartola, numa referência aos pedidos de demissão do diretor de futebol do clube, Adalberto Baptista.


A substituição de Adalberto Baptista, visto como arrogante e truculento pelos jogadores e pela própria diretoria, é o motivo de maior discórdia. O único ponto de convergência entre situacionistas e oposicionistas é que o clube precisa de um profissional remunerado de melhor trânsito com os atletas e com mais bagagem no futebol. Juvenal, por enquanto, não se pronunciou sobre o assunto e tenta manter o escudeiro - ontem, os dois estiveram no CT da Barra Funda e conversaram longe do alcance da imprensa -, mas vai avaliar novamente a situação durante a excursão do time pela Europa e Japão - onde disputa um torneio amistoso e a Copa Suruga. Ele já foi alertado por diversos diretores que demitir o diretor de futebol pode dar algum oxigênio para sair da crise.


Entre os outros pontos que vêm gerando críticas estão a fragilidade do elenco e até mesmo a demora para conseguir viabilizar o projeto de cobertura do Morumbi, cujo alvará da prefeitura foi anunciado com estardalhaço pela diretoria em outubro do ano passado e ainda não saiu do papel - o contrato de financiamento está parado na Comissão de Valores Mobiliários e ninguém se arrisca a dizer quando as obras terão início.



Força


Apesar de todas as críticas, Juvenal ainda desfruta de enorme força no Conselho Deliberativo e, por ora, é favorito absoluto a eleger o sucessor nas eleições do ano que vem. Mas ele nunca esteve tão criticado e sob pressão. E há quem acredite que o cenário possa mudar se o presidente não mudar de atitude. “Estamos vendo o que vem acontecendo no Brasil, onde uma presidente imbatível está patinando. Isso pode se repetir na esfera esportiva”, alerta um dirigente do clube.

 

Clube divulga carta da organizada com críticas à oposição

Um dia depois do polêmico churrasco que terminou em confusão na sede do São Paulo, o clube fez uma nova trapalhada. A principal torcida organizada são-paulina disparou um e-mail criticando o apoio da oposição a Marco Aurélio Cunha, pré-candidato às eleições presidenciais do ano que vem, e acusando o ex-superintendente de ser santista. O problema é que o comunicado foi disparado utilizando a conta do programa sócio-torcedor, de domínio oficial do clube.


Além de criticar o pré-candidato, a uniformizada Independente dá seu ponto de vista sobre a briga ocorrida no churrasco realizado no domingo. Segundo a torcida, a agressão aconteceu depois de um dos apoiadores de Marco Aurélio Cunha confirmar não ser são-paulino.


“...não somos a favor de A, B, C ou D, só que não podemos permitir calados que o SÃO PAULO FC seja presidido por alguém que não seja de fato são-paulino. A diretoria da Torcida Tricolor INDEPENDENTE não apoiará em nenhum momento o Sr. Marco Aurélio Cunha que teve um vídeo divulgado no YouTube onde o mesmo canta em alto e bom som o hino de um clube rival”, diz parte do comunicado, que direciona o leitor a um vídeo de Marco Aurélio Cunha, que trabalhou no Santos como médico no fim dos anos 90, cantando o hino do clube no casamento de um familiar.


De acordo com a assessoria de imprensa, o problema foi causado por causa de um funcionário e não reflete o pensamento do São Paulo sobre o assunto.

 

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