Cultura

Ciência pop

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Malavotla Jr.

Alberto Consolaro lança um verdadeiro “guia para curiosos” ao compilar 100 artigos publicados em sua coluna no JC

“Queremos Saber!” (Idea Editora, 327 páginas), a primeira obra não científica de Alberto Consolaro - cientista, patologista, professor universitário, jornalista e colunista do JC - será lançada hoje, em um espetáculo que une ciência, arte, música e debate, a partir das 20h, no Teatro Municipal.

A entrada é gratuita. A promoção é do Jornal da Cidade e da Idea Editora, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.


Com linguagem coloquial, a obra compila seus 100 primeiros artigos veiculados no caderno de Ciência do Jornal da Cidade. Um dos objetivos de Consolaro com a publicação é derrubar as barreiras de linguagem e entendimento entre a ciência e a comunidade. O livro, uma espécie de “almanaque”, vem prefaciado por ninguém menos que Gilberto Gil. São diversos temas, escritos em uma linguagem leve e convidativa, e como uma boa pitada de senso de humor. Um verdadeiro “guia para curiosos”.



Ciência ‘musicada’


Para “musicar” este espetáculo – uma verdadeira “aula-show” – o palco do Municipal contará com a apresentação dos músicos Anderson Magrão e os irmãos Renato e Tatto Savi, que formam o grupo de nome científico Apoptose, que vai nascer e “morrer” ali, no mesmo dia.


Consolaro explica: “Apoptose é um fenômeno celular que significa a morte geneticamente programada de uma célula, que morre para o bem do próprio organismo. Então, relacionado a este termo, a banda foi formada pra este evento. Ela se forma ali e ali mesmo vai morrer”, esclarece o pesquisador.


Além de música, o palco contará com cenografia dirigida por Carlos Batista. Toda a encenação vai dar vida ao debate sobre “Ciência e Religião: Fé ou Ousadia?”, que terá participação de Consolaro, do padre Ricci, da Igreja Católica, do pastor Gilson, da Igreja Batista, e Richard Simonetti, representando a doutrina espírita. O debate será mediado por João Jabbour, diretor de redação do JC.


“É que a ciência tem sempre como um ‘contraponto’ – pelo menos na mente das pessoas – a religião. A ciência sempre esclareceu alguns pontos obscuros, enquanto a religião acredita em tais coisas obscuras sem testar sua veracidade, sem oferecer provas, mas na base da fé”, discorre o cientista. “Sempre houve historicamente este confronto.”

 

Arte abstrata questionadora

A arte também pode despertar muitas dúvidas e gerar interrogações que criam sede por querer saber e entender. Quem nunca contemplou uma obra de arte e se sentiu, no mínimo, estranho ou curioso? Essa mesma sensação de “querer saber mais” está nos quadros da artista plástica Sueli Dabus, que vai expor as obras de sua série “Abstratos” durante o evento de lançamento do livro do professor Alberto Consolaro.


“O abstrato nada mais é do que um ponto de interrogação, tanto para o artista como para quem está buscando entender, assim como é a pesquisa científica do Aberto Consolaro, um eterno querer saber”, discorre a premiada artista.


Sueli conta que, para o evento, vai levar 15 obras da série, algumas delas inéditas. São quadros que utilizam óleo sobre tela e dispõem de outros materiais, como acrílico, folha de ouro e papel japonês. Parte das obras de arte da série já foi levada para a Argentina, a convite de uma exposição do Banco de la Provincia, em 2010.

Músicas para reflexão

Conforme explica o músico Renato Savi, ele e seus parceiros de banda vão tocar e cantar quatro músicas – escolhidas justamente para reforçar a temática da “aula-show”. “São músicas sugeridas que são relacionadas com os temas do evento – fé, ciência, religião”, explica Renato, que junto com Tatto e Andreson mantém uma banda que faz tributo à canadense Rush.


“A gente se apresenta especialmente em bares da cidade, como no Armazén. Somos uma banda de rock, então se apresentar em um Teatro, com músicas com estilo diferente das que costumamos tocar, vai ser uma experiência um tanto diferente”, ressaltou Renato.


Para dar vida à aula-show, a “banda com morte programada” vai embalar as seguintes músicas: “Queremos Saber”, de Gilberto Gil (que não podia faltar); “Balada do Louco”, que pode ser ouvida na voz do grupo Mutantes; “Gita”, de Raul Seixas; e, pra encerrar, o clássico “É Preciso saber Viver”, tão famosa como o Titãs.


“São músicas que têm tudo a ver com os temas que serão discutidos durante a aula-show, muitas delas foram sugeridas pelo próprio Consolaro”, indica Renato Savi.

 

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