A sequência de oito derrotas consecutivas - ao todo, 11 jogos sem vitória - atingiu o coração da diretoria do São Paulo ontem. Adalberto Baptista, diretor de futebol profissional e da base e um dos mais contestados pela torcida e também pelo elenco, está fora da cúpula tricolor.
Embora a diretoria tenha divulgado uma nota oficial informando que Adalberto pediu demissão, fontes ouvidas pela reportagem garantem que ele foi demitido pelo presidente Juvenal Juvêncio. O comunicado, que ressalta a conquista da Copa Sul-Americana e a conquista da vaga para a Copa Libertadores deste ano, seria uma forma de preservar o dirigente de um desgaste ainda maior com a opinião pública.
A saída foi, até certo ponto, surpreendente, já que ele seria o chefe da delegação são-paulina na excursão que se inicia nesta segunda pela Europa e Japão. “O São Paulo lamenta profundamente o pedido e agradece o trabalho e a dedicação do Dr. Adalberto Baptista, que prestou relevantes serviços a nossa instituição. Durante o período em que esteve a frente da diretoria, estrelas do nosso futebol foram incorporadas ao elenco, nos sagramos campeões da Copa Sul-Americana e a vaga para a Libertadores 2013 foi conquistada”, disse a carta.
Provisoriamente, o vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, responderá pelas funções da diretoria de futebol e Marcos Tadeu reassume a função de diretor das categorias de futebol de base. Essa configuração, no entanto, é interina. Pintado, campeão das Libertadores de 1992 e 1993, além do Mundial de 1992, deve assumir a diretoria de futebol.
Salvação
Acusado de arrogante e de se manter distante do cotidiano do futebol, Adalberto praticamente definiu sua saída do clube quando criticou publicamente o goleiro Rogério Ceni após a derrota para o Corinthians no segundo jogo da final da Copa Sul-Americana. “Todos sabem que ele (Ceni) está com uma lesão no pé direito, que ainda incomoda. Até por isso, ele está com deficiência em alguns pontos fortes que são a reposição de bola e a saída de gol”. A declaração foi uma resposta às críticas de Ceni à diretoria - o goleiro havia dito que “o São Paulo parou no tempo”.
Com a demissão de Adalberto, Juvenal tenta resgatar o prestígio e deixa de prolongar uma situação que era, na verdade, insustentável. Além disso, o presidente já projeta o cenário das eleições do clube do ano que vem. Como o ex-diretor de futebol já não era figura unânime no Conselho Deliberativo, Juvenal preferiu sacrificá-lo para manter o apoio político para 2014.
O presidente também quis se alinhar à vontade da torcida, que considera Adalberto um dos principais responsáveis pela crise sem precedentes que tomou conta do clube. Foi a maneira que o presidente encontrou para legitimar a escolha de Paulo Autuori como treinador - Muricy Ramalho era o preferido dos torcedores.
Outros fatores de desgaste de Adalberto foram a distância em relação ao time - ele estava na Europa na derrota para o The Strongest, por 4 a 3, pela Libertadores, por exemplo - , a defesa de Ney Franco, demitido para a contratação de Paulo Autuori, e a responsabilização do elenco pela crise.
Por todas essas razões, seu nome foi o principal alvo dos protestos da torcida. Antes e depois da derrota para o Cruzeiro, no Morumbi, no último sábado, manifestantes mostravam cartazes com os dizeres “Cala a boca, Adalberto”.