Pela terceira vez na história do partido, o PT de São Paulo realizará um encontro voltado exclusivamente para o Interior do Estado. O evento acontece em Bauru, entre os dias 9 e 10 de agosto, com presença confirmada do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trata-se de claro gesto de busca do fortalecimento da sigla com foco nas disputas eleitorais de 2014 e 2016.
O Haras Canarim, à beira da rodovia Marechal Rondon, foi o local escolhido para receber os 500 delegados da sigla. O número de participantes, porém, pode chegar a 2 mil, segundo a vice-prefeita Estela Almagro (PT). Isso porque são esperados ministros petistas e deputados federais e estaduais, que trazem, normalmente, seus staffs e apoiadores.
A maior concentração de petistas, no entanto, deve ser alcançada na abertura do evento, na noite de sexta-feira, em função da presença de Lula. “Ele foi, é e será o maior símbolo do nosso partido. Então é natural que recebamos os militantes, não apenas de Bauru, mas de todo o Interior paulista”, diz Estela.
Para garantir a presença do ex-presidente, a data do encontro foi alterada três vezes, segundo a vice-prefeita. “Além de atrair os militantes, a participação do Lula qualifica o debate por conta da sua lucidez para fazer a avaliação dos quadros políticos”.
O partido pretende, durante o encontro, dialogar políticas para o futuro, discutir o desenvolvimento do Interior e planejar o fortalecimento nas eleições.
A preocupação não é à toa. Segundo Estela, em 1998 e 2012, o PT não avançou ao segundo turno na disputa pelo governo do Estado por conta da baixa votação no Interior paulista, cenário divergente ao da Capital.
A petista adianta que o encontro pode resultar na criação da Secretaria do Interior para a sigla em São Paulo. “O PT tem acordado aos poucos para a importância da nossa região. Essa questão tem avançado muito com o mandato do [presidente estadual] Edinho, até mesmo por ter sido prefeito de uma cidade de médio porte, como Araraquara”.
Almagro lembra que o último encontro direcionado exclusivamente ao Interior de São Paulo aconteceu ainda na década de 1990.
Cenário eleitoral
Presidente do partido em Bauru, o vereador Sandro Bussola (PT) acredita que a legenda precisa aprender com as derrotas passadas no Interior, com o foco de reverter a “tradição” no pleito de 2014.
Há muito tempo, o PT demonstra tamanha confiança na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes e, no ano que vem, deve apostar no ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como oponente do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Tanto é que Padilha já está viajando por todo o Estado. Seu empenho começou nas eleições municipais de 2012, quando visitou as principais cidades para pedir votos aos candidatos petistas ou apoiados pela sigla.
O tucano, por sua vez, tem feito duras críticas, publicamente, à desatualização da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), com o claro objetivo de arranjar a projeção do ministro e potencial concorrente.
Para o Senado, é cotado o nome do deputado federal Ricardo Berzoini (PT). No entanto, Eduardo Suplicy (PT) também está disposto a disputar a reeleição, embora a cúpula partidária tente convencê-lo a pleitear uma cadeira na Câmara Federal, a fim de “engrossar” a chapa, consequentemente, a votação da coligação.
Disputa interna local
Em novembro deste ano, acontecem as eleições diretas, nas quais todos os filiados ao PT têm direito a voto, para a escolha dos comandos municipais, regionais, estaduais e nacional do partido. Em Bauru, o clima é tenso entre representantes da corrente majoritária da sigla.
A vice-prefeita Estela Almagro (PT) quer emplacar o marido e ex-vereador José Carlos de Souza Batata (PT) na presidência municipal. No entanto, o sindicalista Cláudio da Construção (PT) reivindica o posto. O atual presidente Sandro Bussola (PT) não pode concorrer à reeleição, pode trabalhar o nome de um sucesso, mas está inclinado a apoiar Claudinho.
A pressão do comando estadual por um consenso entre os membros da Construindo o Novo Brasil (CNB) aumentou após o interesse do superintendente do INSS, José Lopes.
Além deles, Fabrício Genaro (PT) e Jorge Moura (PT), representantes de outras correntes, também podem disputar a presidência do PT de Bauru.