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Progresso social e produção

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 2 min

O Plano Agrícola e Pecuário recém-aprovado pelo governo para 2013/2014 não se restringe apenas ao processo de produção e distribuição do setor agropecuário. Por suas características inovadoras, deve ser considerado um grande avanço. Muito bem estruturado, ele ataca os pontos críticos do agronegócio, envolvendo toda a cadeia de serviços (pesquisa, transporte, armazenamento, produção de sementes, de insumos, etc.) que hoje adicionam valor da ordem de 20% a 25% do PIB e emprega cerca de 30 milhões de pessoas num amplo espectro que vai do mais humilde trabalhador ao mais extraordinário cientista.

De acordo com as últimas informações, a safra brasileira 2012/2013 de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá atingir 186 milhões de toneladas. A safra 2002/2003 foi de 123 milhões, o que significa um aumento de 51% nos últimos 10 anos - uma taxa formidável de 4,2% ao ano - que nos mantem na liderança do aumento da produtividade total dos fatores de produção na agricultura mundial no período.

Enquanto a produção nacional cresceu, entre 1975 e 2011, quase quatro vezes, o indicador ponderado dos insumos usados cresceu menos do que 10%. Esse aumento liberou mão de obra no período (quase 18%), manteve praticamente estável a área plantada (mais 3%), com um aumento da relação capital/homem da ordem de 57% (1,3% ao ano). O progresso se deu, basicamente, pelo aumento da produtividade física da mão de obra da ordem de 4,7% ao ano, o que se refletiu nos salários.

O Plano Agrícola e Pecuário de 2013/2014, seguramente o melhor em muitos anos, está atento à necessidade de acelerar o desenvolvimento do setor, com um substancial aumento dos limites do crédito de investimento e custeio: com aumento de prazos e redução da taxa de juros real; o ataque ao trágico problema da carência da capacidade estática do armazenamento da safra, que vem impedindo o produtor de aproveitar as melhores "janelas" para a venda de sua produção; ao suporte à inovação e tecnologia; o aumento da atenção à irrigação; o estímulo à agricultura de baixo carbono; ao aumento do seguro da safra que um dia amenizará os enormes riscos climáticos e das pragas sobre a renda da agricultura; o apoio à formação de estoques que reduzem os efeitos dos "choques de oferta" que tanto comprometem a taxa de inflação; a ampliação da assistência técnica e a recuperação da extensão rural e, por fim, mas não menos importante o decidido apoio à ação cooperativista na agricultura.

Se a evolução do clima for benigna, a resposta da agroindústria ao Plano para a safra 2013/2014 deverá ser um estímulo importante para a disseminação do aumento da sua participação como alavanca do crescimento do PIB. O lançamento do Plano Agrícola e Pecuário pode ser considerado a "notícia do ano" para a economia brasileira.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC


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