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?Trintão?, Nintendinho mantém fãs

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 7 min

Nintendo era praticamente sinônimo de videogame na virada dos anos 1980 para os 1990. Quem está na faixa dos trinta anos lembra com carinho de tardes inteiras em frente á TV jogando clássicos como Super Mário, Street Fighter e Donkey Kong. Hoje também trintão, o avô dos modernos XBOX ou Playstation mantém o charme e é desejado por colecionadores.

 

João Rosan

O colecionador Rafael Ishikawa mantém e ainda joga o tradicional NES

E não confunda. É comum muita gente que começou a jogar já na época dos jogos em 16 bits, cujos aparelhos mais famosos são o Super Nintendo e o Mega Drive, se orgulhar de ter possuído ou experimentado o “Nintendinho” que, de fato, designa a leva de consoles de segunda geração da Nintendo, de 8 bits.


Colecionador que ostenta com orgulho, e todo cuidado, o videogame na prateleira repleta de consoles antigos e atuais, o técnico em informática Rafael Ishikawa, de 29 anos, diz que até hoje arrisca algumas partidas. “Gosto de jogar de vez em quando. Procuro zelar bastante pelo videogame. Não deixo empoeirar”, diz.


O esmero não é para menos. Cada vez mais procurados pelos aficionados de diversas gerações, o console original da Nintendo não é tão fácil de encontrar. Mesmo porque, lembra o colecionador, na época em que o aparelho foi lançado no Brasil, diversos “similares”, com os jogos no mesmo sistema, invadiram o mercado.


Original, o aparelho lembra um videocassete, com o cartucho fixado do lado de dentro do dispositivo.


Minoru Takatama, que trabalha com games desde aquela época, lembra que o brinquedinho não era nada barato. “Era caro. Os Nintendo oficiais, mesmo, eram distribuídos pela Gradiente, com alta taxa de importação”, atribui o comerciante.

 

Astro encanador


Super Mário, na verdade, já era conhecido desde o Atari. Em Donkey Kong, ele é o bombeiro que tem de escalar uma série de andares num edifício, desviando de barris arremessados pelo gorila, ao subir as escadinhas. Mário, na companhia do irmão Luigi, também já existia em diversas versões no sistema de 8 bits e ganhou maior fama em Super Mário Bros. III.


Mas foi no Super Nes, de 16 bits, que o bigodudo se transformou em “Pop Star”. O game fez tanto sucesso que ganhou derivados, como Mário Kart. Outros sistemas mais potentes, como o Nintendo 64, deram sequência à saga. Mas isso é assunto para a próxima fase, ou melhor, uma nova história.

Sucesso duradouro

Fãs que jogam os games modernos ou nostálgicos de plantão, até hoje, procuram tanto pelos antigos videogames, cartuchos ou demais produtos que denotam uma das épocas mais “românticas” dos jogos eletrônicos, classificam os aficionados mais “xiitas”.


Numa loja de pelúcias de um dos shoppings da cidade, por exemplo, o item predileto é um....joystick. “O pessoal gosta do controle,  item que tem maior saída”, observa a vendedora Thaís Raquel, de 18 anos. Mesmo de outra geração, ela também é fã do clássico Mário, cujos personagens estão expostos na loja de pelúcias. “Jogo no celular”, confidencia.

 

Anos 90 dominam ‘nostalgia eletrônica’

Diferente de hoje, com os donwloads e jogos online, conseguir a ‘fita’ desejada era algo a se comemorar, lembra colecionador


 

Numa época em que não era possível baixar jogos ou brincar online, conseguir o cartucho desejado, lembra Rafael Ishikawa, fã do Nintendinho e colecionador, era motivo de comemoração. “Era diferente. Lembro da gente encomendar as ‘fitas’ até com um mês de antecedência quando os lançamentos eram anunciados”, recorda.


E não era para menos. Para ele, essa época, em especial, domina o coração dos nostálgicos dos jogos eletrônicos. “Acho que sempre será diferente. Tanto pela dificuldade, na época, em comprar um jogo ou aparelho, que eram caros, mas também pela diferença com os games de hoje”, compara, sobre a facilidade de se jogar online.


No Brasil, principalmente, onde as novidades eram fase ultrapassada nos Estados Unidos ou Japão, chegar em casa com um cartucho recém saído do “forno” era um troféu para a molecada que seguia a tradição eletrônica iniciada na geração anterior, do bom e velho Atari.


No final dos anos 1980, a indústria do videogame nos Estados Unidos enfrentava forte descenso. O Atari 2600, saturado principalmente pelos “clones”, tanto do console quanto cartuchos, teve as vendas praticamente sepultadas. Meteórico no início da década, o sistema ainda tinha relativo sucesso em outros países, entre eles o Brasil.


Enquanto que, por aqui, os jogos do Atari ainda tinham o seu público, Estados Unidos e Japão assistiam ao nascimento de uma nova geração (na verdade a terceira) dos jogos caseiros eletrônicos.


Após a primeira leva, nos anos 1970, com os games conhecidos como “Pong” (no Brasil, a Philco o trouxe no formato “Telejogo”, em preto e branco, sem a possibilidade de cartuchos e com simples bastões na tela rebatendo uma “bola quadrada e da segunda safra, na década de 1980, com o arrasador Atari e seus “derivados”, chegava a terceira geração.


Empresa japonesa tradicional no ramo de cartas de baralho, a Nintendo lançou o NES (Nintendo Enternainment System) no final da década marcada pelo sucesso do Atari. As cores, sons e gráficos surpreenderam. O sistema de 8 bits era diferente das poucas possibilidades de desenhos e movimentos dos consoles antecessores.


Mais possibilidades no joystick – com dois botões de comandos, além do botão direcional, diferente do manche dos videogames antigos –, formatos “humanizados” nos jogos de plataforma e personagens mais “simpáticos” do que simples polígonos na tela em detrimento ao sistema anterior.


Revolução: NES


A novidade chegou ao Brasil no começo dos anos 1990. Os primeiros videogames padrão Nintendo chegaram ao País, curiosamente, em formatos de “clones”. O NES, propriamente, foi lançado por aqui depois de consoles de fabricação nacional como o Phantom System, da Gradiente (que depois importaria o dispositivo original), ou Dynavision II, da Dynacom.


No Brasil, os videogames “Nintendo” seguiam o padrão de cartuchos americanos, maiores, com 70 pinos. Para jogar os títulos japoneses de 62 pinos (que eram os mesmos, mas com formato menor dos chips nas “fitas”, como a moçada gostava de chamar os cartuchos) era necessário um adaptador, adquirido  separadamente.

 

Rivalidade

Paralelamente ao lançamento do Nintendo, a Sega (Service Games), norte-americana, lançou nos Estados Unidos o Mark III, também de 8 bits. Tanto nos “States” quanto no Japão, o console não fez tanto sucesso. Na Europa, porém, o Master System, como também foi batizado no Brasil, deu certo.


Mas foi com um novo sistema que a Sega, de fato, incomodou a Nintendo. O Genesis, Mega Drive no Brasil, chegou com o slogan nada modesto. “O Genesis faz o que o NES não faz”. E, realmente, fez. Com 16 bits de processamento, o dobro do Nintendo, o videogame chegou com títulos clássicos e potência.


Jogos eternizados como “Sonic” podiam ser debulhados com som estéreo e gráficos em 3D, algo que o NES não oferecia. Até que a Nintendo reagiu e apresentou ao mercado o Super Nintendo, ou Super NES (Super Famicon no Japão).


O console, que tornou um simples encanador em “astro” do mundo dos games, tinha grande número de títulos e, segundo fãs, virou o jogo novamente.


“A competição entre Sega e Nintendo era grande desde a disputa no 8 bits com o NES e Master System. No entanto, o maior número de títulos dá vantagem a Nintendo”, considera o comerciante Minoru Takatama.

 

Legado

Desde o Atari, Nintendinho, Super Nintendo até os atuais Playstation ou XBOX, o que há de comum é a interação que o jogo eletrônico pode incentivar. De olho nisso, algumas empresas até incentivam a disputa de algumas quedas até mesmo dentro do escritório. É o caso da Lecom, companhia no ramo de softwares, em Bauru.


Durante o almoço ou nos intervalos do expediente, os funcionários que gostam do “esporte” podem bater uma “bola” virtual no videogame instalado na empresa. O assistente de compras Luiz Henrique de Campos é um deles e aprova a iniciativa até mesmo para aumento da produtividade. “É bacana, mesmo porque trabalhamos com tecnologia”, relaciona.

 

Jogo em família

Analista de recursos humanos da mesma empresa, Rosana Ribeiro não joga com os colegas. Ela prefere arriscar as habilidades eletrônicas em família, ao lado dos sobrinhos. “Gosto mais dos jogos do Nintendo Wii, por causa dos movimentos. Não tenho muito talento com os joysticks”, admite ela.


“É um grande passatempo tanto para interação social quanto em família”, aprova ela, sem esconder a “nostalgia eletrônica”. “O Atari fez parte da vida de muita gente. Jogos como o do aviãozinho (River Raid) ou Enduro são inesquecíveis. Aprovo o game inclusive no trabalho. É ótimo para inserção social e raciocínio”, endossa.

 

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