A situação da indústria de transformação vai melhorar ainda neste ano, avalia um dos principais formuladores da política industrial do governo federal, o economista Mauro Borges Lemos. O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) reconhece que a indústria brasileira precisava de “ajuda urgente” em 2011, e somente nos últimos meses começou a superar a fase mais difícil.
Na avaliação de Lemos, a estabilização da taxa de câmbio no atual patamar de R$ 2,20 a R$ 2,25 vai permitir aos exportadores de manufaturas internalizar os dólares mantidos fora do País e aumentar sua remuneração em reais.
O estímulo pode funcionar para ampliar a produção interna, justamente num período em que - aposta o governo - a demanda das famílias deve voltar a aumentar Ao mesmo tempo, esse nível do dólar encarece os importados e oferece um estímulo ao fabricante nacional.
“Estamos vivendo o fim de uma transição para um novo padrão de crescimento, que será sustentado pelo crescimento do investimento, e obviamente que o consumo vai voltar a crescer, mas não vai mais liderar esse novo ciclo”, disse Lemos à reportagem. De acordo com o presidente da ABDI, o cenário é de estabilização do câmbio, redução da taxa de inflação e início das concessões de infraestrutura do governo federal.
Crise
Dois anos depois do anúncio do plano Brasil Maior, o governo entende que todas as medidas para estimular a economia lançadas depois serviram para atenuar os efeitos negativos da crise mundial, que se intensificou a partir de agosto de 2011. Foi naquele mês que as turbulências na Grécia começaram, desencadeando uma crise geral que afetou Portugal, Espanha e Itália, na União Europeia, e atingiu também a China, que perdeu fôlego.
“É verdade que não conseguimos recuperar a competitividade da indústria apenas com medidas microeconômicas, mas elas são fundamentais para atenuar crises e para criar condições para um crescimento mais firme quando o quadro macro mudar”, avalia Lemos.
Entre as principais medidas, o presidente da ABDI cita a desoneração da folha de pagamentos, a ampliação das linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep, voltadas à inovação, e o novo regime automotivo, o Inovar-Auto.
Trabalhando com o indicador de média móvel trimestral da produção industrial, sem ajuste sazonal, o economista do governo aponta que a situação mudou com o plano Brasil Maior. A produção física caiu 5,5% entre maio de 2011 e junho de 2012, na pior fase da indústria, mas aumentou 3,8% entre maio de 2012 e junho de 2013.
“É preciso compreender que as reduções de custos do trabalho e do regime tributário são medidas estruturais, não são um puxadinho”, disse Lemos.