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Igreja Católica elogia atuação de Francisco


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Do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, a bispos e teólogos de diferentes tendências, todos elogiam com entusiasmo as palavras e gestos do papa Francisco em sua passagem pelo Rio para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).


O ângulo varia, conforme a perspectiva de cada um, mas ninguém faz reparos ao desempenho do papa em sua primeira viagem internacional. Simplicidade, bom humor, espontaneidade na comunicação e, especialmente, a capacidade de dar seu recado a partir da constatação da realidade são as principais características do chefe da Igreja Católica.


“Com cara de brasileiro e não só de argentino, Francisco tem sido um magnífico profeta, como ficou claro em seus contatos com dependentes químicos num hospital, com crianças ao lado do papamóvel e com os moradores da comunidade da Varginha”, disse d Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), que abraçou o papa duas vezes em Aparecida e acompanhou a visita ao Rio à distância.


D. Angélico, que foi auxiliar do cardeal d. Paulo Evaristo Arns e voltou a trabalhar em São Paulo após se aposentar, por idade, em Santa Catarina, confessa estar encantado com os gestos e as mensagens de Francisco. “O papa nos convida para um encontro vivo com Jesus, abrindo os braços à misericórdia, à solidariedade, à justiça e à paz”.


“A visita do papa está sendo uma bênção para o nosso povo e para os jovens de maneira especial”, declarou d. Damasceno à Rádio Vaticano. Observando que as mensagens de Francisco têm sido simples, mas muito profundas, o cardeal adverte que, após essa visita, fica para a Igreja a preocupação de incentivar ainda mais o trabalho com a juventude.



Pastoral


Para d. Fernando Arêas Rifan, administrador da Administração Apostólica Pessoal João Maria Vianney, criada em 2002 pelo papa João Paulo II, “Francisco é um papa pastoral que nos incentiva a atrair para a Igreja os jovens alimentados pela fé”, numa reconciliação com a ala tradicionalista do bispo de Campos, d. Antônio de Castro Mayer, que morreu excomungado pela Igreja.


“Francisco fez no Rio uma visita de pastor sem estardalhaços, dando seu recado sem se deixar levar por políticos, tratados com educação, mas à distância”, afirmou padre Manoel Godoy, diretor do Instituto Teológico Santo Thomás de Aquino, em Belo Horizonte Ex-assessor da CNBB, que conhece bem os bastidores da Igreja, padre Godoy prefere não fazer julgamento definitivo. Quer esperar até outubro para ver como o papa vai atacar os problemas apontados pelo G-8, o grupo de cardeais encarregados de sugerir reformas na Cúria Romana.


Também o bispo de Mogi das Cruzes, d. Pedro Luiz Stringhini, adverte que é melhor refletir com calma sobre as mensagens de Francisco à JMJ, para assumir na prática suas palavras. “O saldo da visita do papa é positivo, apesar dos contratempos, porque se viu um clima de paz, sem estresse e sem violência”, disse o bispo. D. Pedro Luiz gostou de o papa ter valorizado a sabedoria dos idosos ao falar da força dos jovens.



Base na realidade


“A novidade que Francisco trouxe, em comparação com João Paulo II e Bento XVI, que também vieram ao Brasil, é que ele não chegou com um discurso pronto como simples reafirmação da doutrina, mas falou com base na realidade, improvisando com mensagens curtas e simples”, disse padre João Batista Libânio, professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte.

 

Polônia: próxima JMJ

O papa Francisco anunciou na manhã de ontem que a cidade de Cracóvia, na Polônia, será a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2016. A escolha é uma homenagem ao papa polonês João Paulo II, criador da Jornada. A realização do encontro católico em Cracóvia também reforça o processo de canonização de João Paulo II, que foi bispo na cidade.


O casal Slawek, de 37 anos, e Kasia Jodynsky, 32, comemorou o anúncio do papa de que a próxima edição acontecerá em seu país natal.

Urgências

Para Francisco, “educação, saúde, paz social são as urgências do Brasil.


O pontífice advertiu que a Igreja tem uma palavra a dizer sobre estes temas, “porque, para responder adequadamente a esses desafios, não são suficientes soluções meramente técnicas, mas ter uma visão subjacente do homem, da sua liberdade, do seu valor, da sua abertura ao transcendente”.

 

Cardeal

Durante a missa do envio, em Copacabana, Francisco chamou de cardeal d. Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.


O mais provável é que o pontífice não tenha tido um lapso, e sim tenha adiantado para o arcebispo a concessão de uma honraria que virá em breve. Falta um consistório, a reunião de cardeais que confirma a nomeação.

 

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