Tribuna do Leitor

Adeus, querido irmão Kiko


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Durante mais de meio século, tivemos uma vida e uma convivência harmoniosa, diferente daquela de todos os outros membros da família. Era nos altos, baixos, não importava a situação, não importava as alegrias, não importava as tragédias, tristezas ou que quer que fosse, nós sempre estávamos juntos, nos socorrendo mutuamente. Kiko, você partiu prematuramente, está difícil encontrar a razão da sua partida. O inconformismo tomou conta de mim; eu continuo passando defronte à casa que você morava achando que vou ver a luz acesa, se o seu carro está parado na frente; por vezes entrei na casa achando que tudo fosse um pesadelo, que eu o encontraria ali. Mero engano, Kiko.

Kiko, a casa está vazia, não tem mais nada ali. Kiko, a saudade é muita, não me conformo; não tem como esquecê-lo. Kiko, como fazer para me desligar de você, pois todos os problemas que apareciam éramos nós dois, eu e você, que resolvíamos, fossem eles na intensidade que fosse.

Kiko, na hora de sua passagem, tenho certeza que por tudo que representamos um para o outro, você em sua desesperada final de existência teve ligado em sua memória na minha pessoa, pois nossos laços fraternais eram bem maiores do que qualquer ser humano possa imaginar. O que me conforta em toda essa que para mim é uma tragédia, foi o fato de ter encontrado a carta que você deixou para mim com palavras de agradecimento por tudo aquilo que você acha que eu fiz por você. Tal carta expressa o seu real sentimento para comigo, quero que Deus ouça meu desabafo dizendo que tudo que fiz por você o fiz de coração aberto pelo amor, carinho, dedicação e respeito pelo irmão querido que era você, a quem, por amor fraterno, nunca abandonei, pois esse amor é eterno.

O meu muito obrigado a todos que de uma forma ou de outra me auxiliaram na localização de seu corpo, em especial a sra. Lilian, RH da Emdurb, que sempre esteve ligada a mim com relação a meu irmão, em todas as horas imagináveis possíveis, desde a mais suave à mais difícil, triste delas. Agradeço ainda a todos os funcionários da Emdurb, sejam eles das necrópoles, assim como da coleta, e tantas outras pessoas, que de uma forma ou de outra estiveram conosco nesta hora adversa.

Kiko, que Deus o tenha em Seu convívio, que o ampare dando-lhe a luz necessária para que você encontre a paz e o descanso eterno. Descanse em paz, meu irmão Adalberto Jorge da Silva Júnior (Kiko). Sua irmã que sempre te amou e eternamente te amará.

Solange Jorge da Silva Parra

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